Cuiabá, 26 de Agosto de 2019

COMPORTAMENTO
Segunda-feira, 06 de Maio de 2019, 15h:26

SEGUNDO ESTUDO

Mulheres roncam, mas têm dificuldade de admitir o problema

Quadro não deve ser subestimado, porque pode ser sinal de apneia obstrutiva do sono

Por Mariza Tavares
Rio de Janeiro

(Foto: https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:People_resting)

Um novo estudo, divulgado no fim de abril no “Journal of Clinical Sleep Medicine”, mostra que o ronco feminino está sub-representado. O pior é que esse é o sinal mais comum de apneia obstrutiva do sono, que é uma parada respiratória. Quando ocorre repetidamente, reduz a oxigenação do sangue, o que pode causar danos ao organismo. O levantamento foi feito com 1.913 pacientes em torno dos 50 anos. Ao longo de dois anos, eles realizaram o exame de polissonografia, que diagnostica distúrbios do sono. Todos receberam um questionário no qual deveriam dar uma nota que representasse a severidade do seu problema. Os pesquisadores compararam as conclusões das polissonografias com a autoavaliação feita pelas pessoas e ainda acompanharam uma noite dos participantes, para ter suas próprias medições.

Os resultados mostraram que 88% das mulheres roncavam, embora apenas 72% reconhecessem que o faziam. Entre os homens, quase não havia diferença entre os que assumiam o ronco (93%) e os que efetivamente apresentavam o quadro (92.6%). Contrariando o senso comum, verificou-se que elas roncam tão alto quanto eles. No grupo de mulheres que nem sequer se descreviam como roncadoras, 36.5% produziam barulho muito alto!

(Foto: https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:People_resting)

roncomulheres.jpg

Ronco das mulheres: problema subestimado.

 

Na escala de ruídos, um ronco leve fica entre 40 e 45 decibéis; o moderado vai de 46 a 55; o severo, de 56 a 60; enquanto o muito severo está acima de 60. Houve praticamente um empate entre os sexos: na média, as mulheres chegavam a 50 decibéis e, os homens, a 51.7 decibéis – o som equivalente ao de uma conversa, ou seja, o suficiente para atrapalhar o sono de quem está ao seu lado.

O médico Nimrod Maimon, coordenador da pesquisa e professor da Ben-Gurion University, em Israel, afirmou que o principal achado do estudo foi o fato de as mulheres não se verem como roncadoras: “elas tendem a não compartilhar a informação e a subestimar o barulho que fazem”. Sua equipe credita tal comportamento ao possível estigma relacionado ao ronco, já que se trata de uma característica considerada masculina. “O problema de as mulheres relatarem com menos frequência o distúrbio, e também de o descreverem como moderado, pode ser visto como uma barreira para o correto diagnóstico de apneia obstrutiva do sono”, acrescentou o doutor.


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