Cuiabá, 26 de Janeiro de 2020

ECONOMIA
Terça-feira, 01 de Outubro de 2019, 10h:38

ECONOMIA

Produção industrial cresce 0,8% e tem melhor agosto desde 2014

Indústria volta a crescer após 3 quedas seguidas, mas ritmo de recuperação ainda é menor que o registrado em 2018. No ano, setor ainda acumula queda de 1,7%.

Por Darlan Alvarenga e Daniel Silveira
G1

(Foto: Agência Brasil)

Depois de três meses em queda, a produção industrial brasileira cresceu 0,8% em agosto, na comparação com julho, segundo divulgou nesta terça-feira (1) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se do melhor resultado para meses de agosto desde 2014 (0,9%).

A alta registrada em agosto é também o melhor resultado mensal desde junho do ano passado, quando houve avanço de 12,6%, na comparação com o mês imediatamente anterior.

Segundo o IBGE, a recuperação em agosto foi puxada pela indústria extrativa, que cresceu 6,6% no mês, impulsionada pelo aumento na extração de minério de ferro, petróleo e gás.

“Esse é o crescimento mais intenso desde junho do ano passado e interrompe uma sequência de três meses de queda da produção industrial, que acumularam perda de 0,9%. Portanto, o avanço observado esse mês elimina uma parte importante daquela queda acumulada”, destacou André Macedo, gerente da pesquisa.

 

Setor ainda tem queda de 1,7% no ano

 

Apesar de a indústria ter voltado a crescer, o ritmo de recuperação ainda é menor que o registrado no ano passado.

Na comparação com agosto do ano passado, a produção caiu 2,3%. No acumulado nos 9 primeiros meses do ano, o setor ainda tem queda de 1,7%. Em 12 meses, a produção industrial mostra uma perda ainda maior de ritmo, ao passar de -1,3% em julho para -1,7% em agosto, permanecendo em trajetória descendente iniciada em julho do ano passado.

"Esse resultado está longe de recuperar as perdas acumuladas no ano e também não significa que o setor industrial esteja começando uma trajetória de crescimento, até porque a alta de agosto está concentrada em poucas atividades”, afirmou André Macedo.

Em termos de patamar de produção, Macedo destacou que a indústria opera 17,3% abaixo do pico de produção, alcançado em maio de 2011. É como se o setor operasse no ritmo em que se encontrava dez anos atrás.

Para iniciar uma trajetória de crescimento, a indústria também depende, segundo o pesquisador, de uma recuperação efetiva do mercado de trabalho.

“Embora venha sendo captada uma melhora no mercado de trabalho, a gente ainda tem um contingente grande fora dele. Além disso, a qualidade dos postos gerados caminha mais para informalidade, com salários mais baixos, o que não traz aumento da massa salarial e acaba não contribuindo com a demanda doméstica para que tenhamos impulso na retomada da produção industrial”, observou.

 

16 dos 26 ramos pesquisados registraram queda

 

Segundo o IBGE, apenas 10 dos 26 ramos pesquisados registraram alta na produção, o que mostra que a recuperação registrada em agosto foi concentrada em poucas áreas, com destaque para as indústrias extrativas, que avançaram 6,6%.

Foi a quarta alta seguida na produção do setor extrativo, acumulando ganho de 25,2% nesse período e eliminando a perda de 24,2% acumulada nos três meses anteriores, em meio aos impactos da tragédia de Brumadinho (MG) na produção da Vale.

Os outros impactos mais relevantes no resultado de agosto vieram a produção de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (3,6%) e de produtos alimentícios (2%).

Na outra ponta, as maiores quedas foram registradas pelos ramos de veículos automotores, reboques e carrocerias (-3%), confecção de artigos do vestuário e acessórios (-7,4%), máquinas e equipamentos (-2,7%) e produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-4,9%).

Entre as grandes categorias econômicas, bens intermediários foi a única que registrou alta (1,4%), sustentada pelo crescimento das indústrias extrativas.

O pior resultado foi o do setor de bens de consumo duráveis, que recuou 1,8%, pressionado pela queda na produção de automóveis. Os segmentos de bens de consumo semi e não duráveis e de bens de capital também ficaram no negativo, ambos com queda de 0,4%.

 

Recuperação lenta e perspectivas

 

A indústria tem sido afetada em 2019 pelo ritmo mais fraco de recuperação da economia e também por fatores adicionais como a queda das exportações para a Argentina, devido à crise econômica naquele país.

Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostrou que o excesso de estoques foi reduzido em agosto, mas que os índices de expectativa de demanda, de quantidade exportada e de investimentos permanecem em queda.

Para o consolidado no ano, os economistas das instituições financeiras projetam uma queda de 0,54% na produção industrial, segundo pesquisa Focus do Banco Central. Para o resultado do PIB de 2019 do Brasil, a previsão atual do mercado é de uma alta de 0,87%.

Segundo Gabriela Fernandes, economista-chefe da Gauss Capital, e expectativa é de "recuperação gradual da economia ao longo do último trimestre do ano, impulsionada pelo consumo e beneficiada por uma redução da incerteza após a aprovação final da reforma da previdência e da liberação dos saques do FGTS ao longo dos próximos meses."


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