Cuiabá, 09 de Dezembro de 2019

POLÍTICA
Quarta-feira, 17 de Julho de 2019, 15h:56

BARRIGA DE ALUGUEL

A fim de grampear desafetos, cabo fantasiou relatório sobre ameaça a Selma Arruda

Euziany Teodoro
Única News

Alair Ribeiro/Midia News

Em um terceiro depoimento à justiça, nesta quarta-feira (17), o cabo da Polícia Militar, Gerson Correa Junior, réu na ação penal sobre o esquema de escutas telefônicas ilegais, no âmbito do governo Pedro Taques (PSDB), que ficou conhecido como a “Grampolândia Pantaneira”, revelou que foi o responsável por um relatório fantasioso sobre suposta ameaça à então juíza da 7ª Vara Criminal, Selma Arruda, hoje senadora.

Segundo o militar, o objetivo era a criação de uma nova investigação do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, e assim incluir outras pessoas de interesse na chamada “barriga de aluguel”, quando pessoas sem qualquer envolvimento são grampeadas no âmbito de investigações aleatórias.

“Achei que o MPE iria abrir alguma medida investigativa sobre esses fatos. No segundo semestre de 2015, chegou ao conhecimento da juíza Selma, titular da 7ª Vara, que havia uma ameaça contra sua vida. Diante da gravidade dos fatos, a juíza foi até o Gaeco”, contou.

"A prática de interceptar pessoas sob relatórios fantasiosos é usada há muito tempo"

Selma Arruda teria procurado o promotor Marco Aurélio de Castro, já citado pelo cabo Gerson Correa Junior como um dos responsáveis pelos esquemas de barriga de aluguel para instalação de escutas telefônicas ilegais.

Marco Aurélio orientou a então juíza a procurar o militar. “Diante dos dados colhidos, realizei um relatório minucioso e fantasioso”, afirmou Gerson.

Ele conta que montou um relatório totalmente falso, envolvendo, por exemplo, o ex-governador Silval Barbosa, seu irmão, entre outros nomes, “que tiveram sua privacidade violada por um relatório fantasioso criado por mim e com subsídio do promotor Marco Aurélio”.

Ainda segundo o cabo Gerson, que trabalhou no Gaeco, a prática de relatório fantasiosos é comum no órgão. “Essa operação era uma das mais típicas realizadas dentro do Gaeco. A prática de interceptar pessoas sob relatórios fantasiosos é usada há muito tempo”.

De acordo com o militar, mesmo após vários dias sem qualquer informação relevante que corroborasse a ameaça à vida de Selma Arruda, o promotor Marco Aurélio determinou que as escutas fossem mantidas. (Tempo real: Mídia News)

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