Cuiabá, 09 de Dezembro de 2019

POLÍTICA
Terça-feira, 23 de Julho de 2019, 18h:02

GRAMPOLÂNDIA PANTANEIRA

Assembleia recebe procurador-geral do MP para esclarecer denúncias sobre grampos

Fernanda Nazário
Única News

Depois de receber o procurador-geral de Justiça, José Antônio Borges, na Assembleia Legislativa para esclarecer o suposto envolvimento do Ministério Público Estadual (MP) no esquema de interceptações clandestinas, que ficou conhecido como “Grampolândia Pantaneira”, os deputados estaduais devem pedir que o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seccional Mato Grosso, Leonardo Campos, também vá até a Casa de Leis.

Em depoimento, o coronel Evandro Lesco, investigado no esquema, revelou que a deputada Janaína Riva (MDB), que requereu a presença do procurador-geral, e seu ex-marido, João Emanuel, foram grampeados em 2014 a mando do promotor de Justiça Marco Aurélio de Castro, chefe do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco). O cabo Gérson Corrêa, que também depôs, disse que o MP destinou verba secreta para manutenção dos grampos. Segundo eles, o MP teria recusado delação premiada.

“Fiquei sabendo que vão convidar, na semana que vem, o presidente da OAB. Acho que tem que tomar a decisão acerca da CPI. Não tem porque ter pressa. Acho que tem um apelo popular muito forte em cima das questões dos grampos. Uma cobrança de explicação da sociedade e uma CPI hoje facilitaria o acesso às informações. A maioria das informações são sigilosas”, disse Janaína Riva.

Sobre a CPI, a parlamenta prefere ser cautelosa, para não terminar como outras CPIs: sem resultados efetivos. “Cautela para saber se de alguma forma vai agregar alguma coisa em cima das investigações. O que favorece é o acesso à informação, que hoje a gente não tem. Temos que fazer o balanço do benefício que tem em se criar uma CPI no momento, para saber se tem essa necessidade ou não, se vai ter ganho ou não à Assembleia. Fazer uma CPI no intuito de ficar como foi a das cartas de crédito, de se passar aqui três, quatro anos sem ela ter resolutividade, não adianta fazer”, entende a deputada.

“A Assembleia tem que avaliar se grampear um parlamentar, de maneira ilegal, dentro de uma barriga de aluguel numa ação de tráfico de drogas, se isso não abre um precedente caso a Assembleia nada faça para evitar que no futuro volte a acontecer. A Assembleia tem que pensar mais no sentido do coletivo do que em mim. Hoje eu me sinto resguardada, tenho meu advogado. Tenho todas as condições de me defender, independente da CPI”, acrescenta Janaína.

Janaína informa ainda pedirá para o Tribunal de Justiça deixá-la ser ‘auxiliar’ na ação que investiga os grampos, assim como a OAB, que ofereceu a denúncia. “Quero fazer um pedido novamente para ser habilitada nessa ação dos grampos enquanto auxiliar. Esse pedido tinha sido negado no STJ (Superior Tribunal de Justiça) e agora está aqui TJ. E eu estou vendo, tal qual a OAB tem condição de participar, e acredito que as partes envolvidas devam ter a mesma prerrogativa”.


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