Cuiabá, 27 de Junho de 2019

POLÍTICA
Terça-feira, 11 de Junho de 2019, 14h:38

COMPRA DE CADEIRA NO TCE

Blairo tentou ficar com vaga da Assembleia no TCE, mas Riva o convenceu a desistir

Euziany Teodoro
Única News

Foto: (Lula Marques)

O depoimento de José Riva à Justiça Federal, declarado em março deste ano para colaboração unilateral do ex-deputado, tem trazido dor de cabeça para vários políticos em Mato Grosso. Um deles, apontado como um dos principais envolvidos na venda de uma vaga no Tribunal de Contas do Estado, é o ex-governador Blairo Maggi (PP).

De acordo com Riva, Blairo trabalhou fortemente para conseguir uma cadeira no TCE para dar lugar a Eder Morais, que foi seu secretário de Fazenda. Em 2009, a próxima cadeira a ficar vaga no TCE pertenceria à indicação da Assembleia Legislativa e vários deputados estariam interessados em ocupar o cargo. Mas Blairo teria tentado mudar as coisas.

Sérgio Ricardo foi o primeiro a trabalhar para ocupar a vaga, comprando a cadeira do então conselheiro Alencar Sores, por R$ 4 milhões. Ele já havia pago R$ 2,5 milhões, quando Blairo interferiu e fez com que Alencar devolvesse a quantia. Além disso, como Alencar Soares alegou ter feito planos para o R$ 1,5 milhão que faltavam, Blairo também pagou essa quantia a ele, via Junior Mendonça – primeiro delator da Operação Ararath.

“E nesse interim, começa uma conversa do Blairo Maggi no sentido de acertar a vaga para o Eder. Eu sou chamado numa reunião. Não me recordo bem os personagens da reunião, mas com certeza eu e o Blairo, onde o Blairo coloca se era possível a vaga pro Eder e eu respondo: ‘muito difícil, porque mesmo que o Sérgio Ricardo não queira ir, tem outros deputados que querem e eu acho muito difícil a Assembleia aceitar. Então o governador pediu um tempo para fazer essa articulação”, conta José Riva.

“Ele apenas queria a vaga pro Éder. Queria que fizesse a troca: mandar um do Estado na vaga que era da Assembleia e depois trocar. Mas tinha um monte de deputado que queria ir e eu convenci ele de que não adiantava. Mesmo que Sérgio não fosse, outro iria”.

Depois de um tempo, Blairo teria desistido da articulação e dado “autorização” para Sérgio Ricardo continuar a negociação pela vaga de Alencar Soares. “Pode falar pro Sérgio Ricardo voltar a conversar com o Alencar, porque vi que não tem jeito. Só queria um compromisso de vocês de a gente levar dois de uma vez, o Sérgio e o Éder. E vamos tentar ver uma vaga desses que estão na vaga do Estado”, teria dito Blairo Maggi.

“Ele (Blairo) não conseguiu essa vaga. Ele mesmo falou isso pra mim. Me ligou e disse: ‘não teve condições de liberar uma vaga pro Éder’. Nesse momento, o Sérgio me disse que aceitava participar (do esquema) desde que eu acompanhasse essa conversa. Daí pra frente eu participei”.

Por fim, Sérgio Ricardo ficou com a vaga de Alencar Soares, pelo valor de R$ 11 milhões, assumindo a cadeira em 2012. Todo o esquema veio à tona na 5ª fase da Operação Ararath. Sérgio Ricardo pagou R$ 6 milhões e Riva, já eleito presidente da Mesa em 2010, ficou responsável por repassar os outros R$ 5 milhões, via superfaturamentos na Assembleia Legislativa. Valor que foi pago, aos poucos, até 2013.

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