Cuiabá, 23 de Agosto de 2019

POLÍTICA
Terça-feira, 16 de Julho de 2019, 11h:05

GRAMPOLÂNDIA PANTANEIRA

MPE diz que Paulo Taques induziu delegadas ao erro; elas não são mais acusadas

Fernanda Nazário
Única News

(Foto: Reprodução/Web)

O procurador-geral de Justiça, José Antônio Borges Pereira, aditou, nesta segunda-feira (15), a denúncia já existente contra o ex-secretário da Casa Civil, Paulo Taques, no envolvimento no esquema de escutas telefônicas ilegais, que ficou conhecido como a "Grampolândia Pantaneira".

Conforme o documento, Paulo Taques teria induzido as delegadas Alessandra Saturnino e Alana Cardoso, que também são investigadas no processo, ao erro. Para conseguir que a ex-amante, Tatiane Sangalli Padilha, e sua secretária na Casa Civil, Caroline Mariano, que era amiga de Sangalli, fossem grampeadas, o ex-secretário inventou uma “história cobertura”.

Como Tatiane tinha amizade com Kelly Arcanjo, filha de Arcanjo, Paulo aproveitou para criar uma situação fictícia. Ele levou à Secretaria de Segurança Pública (Sesp) a informação de que o bicheiro estava planejando um atentado contra o governador Pedro Taques.

Segundo o MPE, Paulo Taques estava preocupado com o término do seu relacionamento com Tatiane, já que ela estava magoada e poderia atingi-lo expondo sua intimidade. Ele também estava desconfiado de que Caroline vazava informações de seu gabinete para o jornalista Muvuca, cujas matérias prejudicavam a imagem do Governo. Para averiguar suas suspeitas, Paulo resolveu monitorar os três.

“Para consumar seu plano criminoso de interceptar ilegalmente Tatiane, Caroline e Muvuca, o Denunciado Paulo Taques, valendo-se do cargo de poder e prestígio que ocupava, comunicou falsamente ao então Secretário de Segurança Pública, Mauro Zaque de Jesus, de que o Governador do Estado à época corria risco de morte”, relata o procurador-geral, no documento.

Para comprovar suas alegações à Sesp, Paulo apresentou uma folha A4 com supostas conversas telefônicas interceptadas, onde continham informações de que duas mulheres tramariam algo contra ele e o então governador Pedro Taques. O então secretário da Sesp, Mauro Zaque, questionou a origem do documento. Paulo Taques alegou que as interceptações eram provenientes de órgãos federais.

“Todavia, há fortes indícios de que as conversas contidas na folha A4 eram provenientes do escritório clandestino da “grampolândia pantaneira”, fato este não sabido por Mauro Zaque à época”, acredita Borges.

Zaque acreditou na existência da ameaça contra o Chefe do Poder Executivo e do Secretário da Casa Civil e então acionou o Secretário-Executivo de Segurança Pública, Fábio Galindo Silvestre, que chamou a Delegada de Polícia Civil Alessandra, que ocupava, à época, a Secretaria Adjunta de Inteligência, para uma reunião na sede da Sesp.

No encontro, Taques mostrou outro papel com os números de telefone de Sangalli, Caroline e Muvuca, sendo este, segundo Paulo, receptor de informações das duas mulheres sobre tudo o que acontecia em seu gabinete na Casa Civil e replicava em seu site.

Alessandra refutou de plano interceptar o telefone de Muvuca, por entender que não estava claro o papel dele nas supostas ameaças às vidas do ex-governador e Paulo Taques. Em seguida, ela entrou em contato com a delegada Alana, então Diretora de Inteligência da Polícia Civil, para repassar as informações recebidas.

Alana comandava à época a Operação Forti, que tramitava perante a 7ª Vara Criminal e visava combater as organizações criminosas instaladas nos presídios de Mato Grosso. Alana, então, de comum acordo com Alessandra, com o intuito de investigar a suposta ameaça, inseriu em sua representação para prorrogação da interceptação de alguns numerais da Operação Forti os telefones de Tatiane e Caroline, dando a elas os codinomes “Dama Loura” e “Amiguinha”, respectivamente, apelidos estes informados por Paulo.

“Durante 15 dias, as conversas de Tatiane e Caroline foram ouvidas e, ao final, como era previamente sabido por Paulo Taques, nada foi apurado em relação às ameaças contra o ex-governador e o então Chefe da Casa Civil”.

Ao final da decisão, o procurador-geral mantém Paulo Taques como acusado e exclui as delegadas Alessandra Saturnino e Alana Cardoso da acusação. Pela suposta prática de improbidade administrativa, elas seriam incursas no art. 11, caput da Lei nº 8.429/92, por terem incluído os telefones das vítimas de Paulo Taques numa relação de telefones grampeados de outra operação policial.

O procurador, porém, emitiu parecer por manter o arquivamento do Inquérito Policial contra as duas delegadas, por não haver dolo específico necessário para configurar o crime de realizar interceptação de comunicações telefônicas sem autorização judicial ou com objetivos não autorizados em lei.


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