Cuiabá, 10 de Dezembro de 2019

POLÍTICA
Terça-feira, 22 de Outubro de 2019, 11h:17

OPERAÇÃO QUADRO NEGRO

Piran é apontado como líder de esquema que desviou cerca de R$ 10 milhões do Estado

Claryssa Amorim
Única News

(Foto: Reprodução)

O empresário Valdir Piran, preso na manhã desta terça-feira (22) por desvios de recursos públicos do Governo do Estado, foi apontado pelas investigações como o líder da organização criminosa, que desviava recursos do antigo Centro de Processamento de Dados do Estado de Mato Grosso (Cepromat), atual Empresa Mato-grossense de Tecnologia da Informação (MTI).

Além de Piran, foram presos o ex-presidente da Câmara de Cuiabá, Wilson Celso Teixeira (Dentinho) e o ex-secretário-adjunto de Educação do Estado, Francisvaldo Pereira de Assunção, preso pela segunda vez em dois meses, por desvios de verba na Seduc.

Foi expedido ainda, pela juíza da 7ª Vara Criminal da Capital, Ana Cristina Silva Mendes, o sequestro de bens no montante de R$ 10 milhões dos envolvidos.

De acordo com a Delegacia Fazendária (Defaz), de Valdir Piran foram recolhidos os seguintes bens: casas, fazendas e diversos carros de luxo, entre eles uma Range Rover e um Porsche. A polícia não informou se o valor dos bens será suficiente, uma vez que cada item deve passar por análise.

O delegado responsável pela operação Quadro Negro, Luiz Henrique Damasceno, explicou que o esquema funcionava por meio de contratos falsos, em 2014, que foram fechados com empresas “fantasmas”. Os nomes dos acusados vieram à tona por meio de colaboração premiada do ex-governador Silval Barbosa e ex-secretário da Casa Civil, Pedro Nadaf, além da análise financeira das contas dos envolvidos.

Segundo as informações, os contratos eram para adquirir equipamentos e materiais para a educação de Mato Grosso. Conforme o delegado, ao verificar a veracidade dos contratos, os produtos eram piratas ou nem mesmo chegaram às escolas.

“Teve contrato em 2014 da Cepromat que serviu apenas para desviar recursos. O Estado adquiriu equipamentos para o ensino, mas a efetividade foi zero. Para se ter uma ideia, verificamos que teve escola que recebeu, para a disciplina de História, material contando a história de uma cidade do interior de São Paulo. Então, nada na efetivação era real”, explicou o delegado Luiz.

Foram presos na operação Quadro Negro: Valdir Piran (líder da organização); ex-presidente da Câmara de Cuiabá e do Cepromat, Wilson Teixeira “Dentinho” (autorizava os contratos); ex-diretor de Tecnologia do Cepromat, Djalma Soares (validava atestados técnicos); ex-secretário-adjunto de Educação, Francisvaldo Pereira (atestava produtos sabendo que não tinha efetividade); empresário Weydson Soares (testa de ferro do Piran) e Edevamilton de Lima Oliveira.

A polícia confirmou que a maior parte do valor desviado por meio dos contratos falsos eram para o líder da organização criminosa, Valdir Piran. Porém, não se tem ainda o valor exato que ele pegou para si.

Ainda está sendo analisado o translado do empresário, já que ele foi preso em Brasília.

A operação

O empresário Valdir Piran e os outros cinco foram presos, na manhã desta terça-feira (22), na Operação "Quadro Negro", deflagrada pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor). Piran teve o mandado de prisão cumprido em Brasília.

As ordens judiciais foram expedidas pela juíza Ana Cristina Silva Mendes, da 7ª Vara Criminal da Capital. Ao todo, foram seis mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão domiciliar. As cidades-alvo são Cuiabá, Brasília (DF) e Luziânia (GO).

Além dos mandados, foi decretado o sequestro de mais de R$ 10 milhões, em valores, imóveis e veículos de luxo dos investigados.


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