Cuiabá, 18 de Setembro de 2019

SAÚDE
Segunda-feira, 20 de Maio de 2019, 14h:39

A PELE DEPOIS DOS 50

Fotodano, manchas, flacidez, pelos faciais

Dermatologista explica as principais alterações que o envelhecimento provoca no maior órgão do corpo

Por Mariza Tavares
Rio de Janeiro

(Foto: Divulgação)

A pele é o maior órgão do corpo e onde o envelhecimento se torna mais visível. Esse “espelho” da passagem do tempo acaba fazendo com que a área da dermatologia não fique restrita ao campo da saúde e tenha uma relação direta com a autoestima. São tantos os assuntos que interessam a quem passou dos 50, que escolhi alguns tópicos para a conversa que tive com a dermatologista Flávia Addor, que tem mestrado pela USP (Universidade de São Paulo) e extensão universitária na Vrije university, em Bruxelas. Pós-graduada em nutrologia, é autora de diversos artigos e dos livros “Envelhecimento cutâneo”, em parceria com Denise Steiner, dirigido a profissionais; e “Doce voo da juventude”, com o clínico geral Alex Botsaris. Por último, mas não menos importante, fiquei feliz de saber que a doutora Flávia é adepta da slow medicine (medicina sem pressa), que foi tema deste blog e cujo objetivo é fazer com que a abordagem médica dedique o tempo que for preciso para avaliar o paciente como um todo.

Como as funções fisiológicas normais da pele vão diminuindo com a idade, ela vai se tornando mais frágil. Há um motivo para temos a impressão de que está fininha e sensível como se fosse “de papel”, como explica a dermatologista: “a espessura do colágeno diminui e há um declínio da coesão na junção da derme com a epiderme. Nesse caso, qualquer pequeno trauma leva a um rompimento da pele”.

A proteção tem que ser redobrada, principalmente porque boa parte da geração acima dos 50 não usou filtro solar. “Os estragos causados pela exposição solar se chamam fotodano”, diz a médica. “Os problemas tendem a surgir de maneira precoce, e grave, quando a pessoa não se protege”, completa. Ela lembra que as melanoses solares, que são conhecidas popularmente como manchas senis, também são resultado da exposição ao sol, e acrescenta que estudos recentes demonstraram que a poluição atmosférica tem uma ação oxidativa bastante prejudicial.

Hidratação é fundamental, ainda mais porque idosos têm a pele desidratada, com menor oleosidade e elasticidade. A doutora Flávia recomenda cremes com maior poder oclusivo (para permanecerem no tecido) e hidroscópico (capazes de reter a água). Sobre a necessidade de pegar sol para evitar a deficiência de vitamina D, recomenda: “com a idade, perdemos a capacidade de sintetizar a vitamina D através da exposição aos raios solares e torna-se indispensável usar o suplemento vitamínico. O idoso que se expõe ao sol vai se tornar mais suscetível a tumores”. No quesito banho, o ideal é optar pela água morna, na temperatura do corpo, e nunca por tempo prolongado. Os sabonetes líquidos que disponham de um sistema de higienização menos agressivo são os indicados – basta procurar produtos Syndet.

Suplementos vitamínicos com biotina, que faz parte do conjunto de vitaminas conhecido como complexo B, têm efeito positivo para as unhas, mas a dermatologista lembra há doenças, como disfunções da tireoide, “que podem acarretar alterações na lâmina ungueal. Por isso é sempre importante investigar as causas”, diz. Depois da menopausa, é comum que as mulheres se vejam às voltas com indesejáveis pelos faciais. “Eles podem surgir no queixo ou no buço e surgem devido à queda na produção do estrógeno, um hormônio sexual feminino. A falta do hormônio também afeta os cabelos, que se tornam mais finos. Há tratamentos de reposição de testosterona que podem minimizar tais efeitos, mas que só devem ser feitos com a supervisão de um ginecologista ou endocrinologista, sob pena de efeitos adversos graves”, enfatiza.

 

No entanto, o que incomoda muito as mulheres é a flacidez facial e do pescoço. Explicação científica: os coxins gordurosos perdem volume e modificam o contorno facial. Como resultado, o rosto se torna encovado e aparece aquela “expressão de buldogue”, de bochechas flácidas. Segundo a doutora Flávia, embora o Brasil esteja em segundo lugar em procedimentos estéticos e a dermatologia cosmética disponha de recursos e ótimos profissionais, o país enfrenta um sério problema: “pessoas não qualificadas vêm realizando esses procedimentos, agindo com total irresponsabilidade. Os danos podem ser terríveis e não há parâmetros em nenhum outro país com o que está acontecendo aqui”.

Pele saudável depende ainda de alimentação e sono de qualidade. “A alimentação tem que estar baseada em três pilares. O primeiro é a ingestão proteica adequada. O segundo é a redução de alimentos de alto valor glicêmico, para evitar a instalação ou o agravamento do diabetes que, além de todas as complicações de saúde, acelera a flacidez. O terceiro é a ingestão de antioxidantes”, ensina.


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