Cuiabá, 10 de Dezembro de 2019

VOLTA AO MUNDO
Quarta-feira, 04 de Dezembro de 2019, 09h:57

APÓS DECLARAÇÕES DE TRUMP

'Não estamos aumentando artificialmente o preço do dólar', diz Bolsonaro

Na segunda-feira (2), o presidente dos EUA, Donald Trump, acusou Brasil e Argentina de estarem promovendo uma desvalorização 'maciça' de suas moedas.

Por Guilherme Mazui, G1
Brasília

(Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil)

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta quarta-feira (4) que o governo não está "aumentando artificialmente" a cotação do dólar.

Na segunda-feira (2), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que Brasil e Argentina "têm presidido uma desvalorização maciça de suas moedas". De acordo com Trump, agricultores norte-americanos estariam sendo prejudicados, já que, com o real e o peso valendo menos em relação ao dólar, exportações de Brasil e Argentina ficam mais competitivas.

A declaração do presidente dos EUA gerou avaliações no mercado financeiro de que o governo brasileiro poderia estar valorizando o dólar de forma artificial. Em novembro, o real foi a quarta moeda no mundo que mais perdeu valor na comparação com a norte-americana.

Bolsonaro negou a possibilidade de o governo estar interferindo na cotação, ao ser questionado sobre o tema por jornalistas na porta da residência oficial do Palácio da Alvorada.

"Nós não queremos aqui aumentar artificialmente, não estamos aumentando artificialmente o preço do dólar", afirmou Bolsonaro.

De acordo com o presidente, um dos motivos da alta da moeda norte-americana nas últimas semanas é a guerra comercial entre EUA e China.

"O mundo está globalizado. A própria briga comercial entre Estados Unidos e China influencia o preço do dólar aqui", disse Bolsonaro.

 

Tarifas sobre aço e alumínio

 

Ao acusar Brasil e Argentina de desvalorizarem suas moedas, Trump disse que iria restaurar a sobretaxa sobre o aço e o alumínio vendido pelos dois países. A sobretaxa nas tarifas foi aplicada pelo governo dos EUA no ano passado, em relação a vários parceiros comerciais, mas Brasil e Argentina obtiveram, em agosto, uma espécie de "alívio" nos preços.

Bolsonaro, que diz ter uma boa relação com o presidente norte-americano, afirmou nesta quarta que acredita que Brasil e EUA chegarão a um "bom termo" com relação ao aço e ao alumínio.

“Eu acredito no Trump, não tenho nenhuma idolatria por ninguém, tenho uma amizade, não vou falar amizade, não frequento a casa dele nem ele a minha, mas temos um acordo, com contato bastante cordial”, afirmou Bolsonaro.

Questionado se ficou decepcionado com Trump, Bolsonaro disse que não, pois o norte-americano ainda não “bateu o martelo” sobre a taxação.

“Não tem decepção porque não bateu o martelo ainda. Não é porque um amigo meu falou grosso numa situação qualquer que eu já vou dar as costas para ele”, disse Bolsonaro.

O presidente afirmou ainda que o Brasil é o 'pobre da história' na comparação com os Estados Unidos.

"Nós importamos etanol deles. Eles querem agora, está bastando avançando, mandarem trigo para a gente. Agora, somos pobres na história. Não sei quantas vezes a economia deles é maior do que a nossa, várias vezes. Nós estamos com bodoque, estilingue, os caras estão com uma [pistola] .50", completou.

 

Mercosul

 

Bolsonaro defendeu uma relação pragmática entre os países do Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai). O presidente participa nesta quinta-feira (5), em Bento Gonçalves, de uma reunião de chefes de Estado do bloco.

Segundo ele, há acordos “engatilhados” para assinatura durante a cúpula. Outra possibilidade é fechar um acordo automotivo entre Brasil e Paraguai.

Bolsonaro citou a mudança de governo na Argentina, com a vitória do candidato de esquerda Alberto Fernández na eleição presidencial. O presidente brasileiro fez críticas a Fernández durante a campanha e, quando saiu o resultado, disse que o povo argentino "escolheu mal".

A cúpula desta quinta será a última que terá Mauricio Macri, atual chefe de Estado da Argentina, como presidente, já que Fernández toma posse na próxima semana. Bolsonaro disse que, apesar da mudança de governo, não deseja perder negócios com o país vizinho.

“Somos quatro países que interessam no Mercosul. Argentina deu uma guinada para esquerda. A gente vai para o pragmatismo, a gente brigando, a Argentina perde muito mais. Eu não quero perder nenhum dedinho. Vamos continuar fazendo negócios”, disse.


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