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Quarta-feira, 11 de Dezembro de 2019, 10h:03

EM UNIVERSIDADES FEDERAIS

Weintraub reafirma existência de ‘plantações de maconha’ e ‘laboratórios de droga’ nas universidades federais em comissão na Câmara

Declaração foi dada nesta quarta-feira (11) à Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, que convocou o Ministro da Educação para esclarecer entrevista dada no fim de novembro; o G1 mostrou em novembro que os casos citados não geraram qualquer process

Por Mateus Ferreira, TV Globo

(Foto: Reprodução/TV Câmara)

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, reafirmou nesta quarta-feira (11) a existência de plantações de maconha e laboratórios de produção de drogas nas universidades federais.

A declaração foi dada à Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, que convocou o ministro da educação para esclarecer uma entrevista dada no fim de novembro. No início da exposição, o ministro mostrou reportagens sobre pés de maconha apreendidos em uma área de matagal da Universidade de Brasília (UnB).

“A universidade federal de Brasília não tinha, ela não tinha uma oficina clandestina para fazer patins de patinação no gelo, para patinar no Lago Paranoá", disse o ministro. "Porque não há demanda para isso. O que havia era uma plantação de maconha no campus da Universidade de Brasília. O problema não é a plantação em si, mas o que ela reflete.”

O ministro da Educação também mostrou reportagens sobre o consumo de maconha e drogas sintéticas na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). As reportagens, como mostrou o G1 em novembro, não indicam participação ou anuência dos gestores das universidades. Nenhum processo foi aberto contra os reitores das instituições.

 

Quarta vez

 

Esta foi a quarta convocação do ministro da Educação pelo Congresso desde a posse no cargo, em abril. Em maio, em meio aos bloqueios do orçamento das universidades federais, o ministro foi às comissões de Educação da Câmara e do Senado, e também falou ao plenário da Câmara.

A convocação mais recente foi aprovada na última quarta (4). A Comissão de Educação aprovou cinco requerimentos para que o ministro explicasse as declarações dadas ao “Jornal da Cidade Online”, em que o ministro ligou as universidades federais à produção de drogas.

A entrevista foi compartilhada nas redes sociais do ministro e gerou forte reação da comunidade acadêmica. Em nota, a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) disse que o ministro da Educação "parece nutrir ódio pelas universidades" e que "ultrapassa todas as fronteiras que devem limitar, sobretudo, os atos de um gestor público".

O G1 entrou em contato com o Ministério da Educação em 22 de novembro, quando a entrevista foi publicada. Até o fechamento deste texto, a assessoria ainda não tinha enviado comentário sobre o tema.

 

Casos concluídos

 

No fim de novembro, o G1 mostrou que os casos citados pelo ministro da Educação, após investigação policial, não geraram qualquer processo contra as universidades federais.

Em um desses episódios, pés de maconha foram apreendidos em uma área de cerrado próxima ao campus Darcy Ribeiro da Universidade de Brasília (UnB). Dois estudantes foram detidos, fizeram acordo e cumpriram penas alternativas. Nenhum professor ou diretor da UnB foi implicado na acusação.

No outro, 140 “buchas” de maconha e 1 kg de haxixe foram apreendidos na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). No mesmo dia da ação, a Polícia Civil negou que os traficantes fossem alunos ou funcionários da UFMG.


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