Cuiabá, 19 de Maio de 2024

ARTIGOS/UNICANEWS Terça-feira, 07 de Novembro de 2017, 10:00 - A | A

07 de Novembro de 2017, 10h:00 - A | A

ARTIGOS/UNICANEWS / ONOFRE RIBEIRO

Mato Grosso e China: cenários



            Ainda estamos num campo relativamente de previsões.

 

 

            No artigo de ontem publicado neste espaço, considerei as chances muito fortes da China estabelecer inevitável conexão com Mato Grosso. Nesta semana o governador está na China alinhando relações que eventualmente resultem em negócios. Neste último fim de semana a mídia divulgou interesses da China em investir 1 bilhão e meio de reais na construção de armazéns em Mato Grosso. O déficit estadual é de 19 milhões de toneladas de grãos num universo de 52 milhões produzidos.

 

            Antes, porém, gostaria de mudar um pouco o assunto e depois retorno a este ponto.

 

            As chances da ferrovia bioceânica vir a se construída são muito grandes. Ela sairia do norte do estado do Rio de Janeiro, atravessa o norte de Minas Gerais, de Goiás e entra em Mato Grosso por Água Boa, passa por Lucas do Rio Verde e sobe na direção de Sapezal até Porto Velho, Acre e vai desaguar em porto peruano no Oceano Pacífico. 

 

            Os chineses estão avaliando que com o quase monopólio de financiamento das produções, compra do que se produzir e a oferta de logística de transporte pra o porto de Shangai, na China, mudarão a geopolítica mundial. Mudarão a atual logística de frete terrestre pros portos do Sul e Sudeste, direcionando os fretes pra ferrovia. Junto dos trilhos um processo veloz de agroindustrialização pra otimizar os fretes e pra criar uma zona de economia frete ao longo dos trilhos.

 

            Aqui está o pulo do gato. Essa zona de riqueza no entorno da ferrovia se constituirá num polo de entrada dos produtos chineses no frete de retorno. Hoje, adubos, defensivo, máquinas, caminhões, eletro-eletrônicos vem pra essa região de outros países ou do próprio Brasil em longos fretes. Uma vez a rodovia pronta, tudo virá da China em frete marítimo e ferroviário e com preços menores. 

 

            Será a porta de entrada de uma reviravolta na atual gestão da produção do agronegócio e da exportação e importação de bens, de insumos e de produtos primários da região Nordeste e do Centro-Oeste.

 

            O assunto não se encerra aqui. Por ora, passa ao largo dos planos da política e da gestão estadual.

 

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

[email protected]   www.onofreribeiro.com.br

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