Cuiabá, 25 de Julho de 2024

ARTIGOS/UNICANEWS Sábado, 13 de Outubro de 2018, 11:18 - A | A

13 de Outubro de 2018, 11h:18 - A | A

ARTIGOS/UNICANEWS / RODRIGO RODRIGUES

Vitória Política

RODRIGO RODRIGUES



Foto: Reprodução

Rodrigo Rodrigues

 

A nossa cultura ainda valoriza muito aqueles que saem vitoriosos das urnas, os eleitos. O nosso sistema eleitoral causa algumas distorções nas eleições proporcionais. É normal alguns candidatos terem votação expressiva e não serem eleitos e outros com metade, ou menos da metade, e conseguirem uma vaga. Somos uma democracia, mas muito engessada ainda. Eu sempre gostei da militância partidária, mas não acho nada democrático a obrigação de estar filiado a um partido para concorrer. Foi-se o tempo em que partido político era igual a time de futebol, para toda a vida.

 

Em um estado democrático de direito, como é o Brasil, sobra pouca margem para esse ou aquele partido, que chega ao poder, imprimir a sua matriz ideológica. Um exemplo claro de como os partidos se tornaram uma questão cartorial, é o do candidato eleito Mauro Mendes, que a um ano atrás era filiado ao PSB - Partido Socialista Brasileiro, fundado por Miguel Arraes, de esquerda, e que defende um regime socialista. Agora, Mauro foi eleito pelo DEM - Partido Democrata, que se intitula de direita, ex- PFL, liberal que defende o livre mercado.

 

O que precisamos é saber valorizar todos aqueles candidatos, independentemente da matriz ideológica, que se propuseram a ir para as ruas e defenderam uma ideia ou um ideal. Com muito voto ou pouco voto, esses candidatos que não conseguiram uma vaga, devem ser respeitados e estimulados a permaneceram defendendo suas causas. Como já disse, o sistema eleitoral nem sempre é justo. ainda que tenham tido uma derrota eleitoral, muitos tiveram uma grande vitória política.

 

Numa conta simples, podemos chegar a um resultado somando os apoios e o que foi gasto, quem saiu da urnas como verdadeiras lideranças. Dos que saíram consagrados das urnas e não foram eleitos, podemos tomar como exemplo a candidata Gisela Simona, a mais votada em Cuiabá.

 

Conheço um pouco dos bastidores da política e de uma campanha eleitoral. Dentro de Cuiabá, Gisela imprimiu uma derrota acachapante sobre o segundo colocado para deputado federal, mostrando que boa parte dos eleitores optaram por quem tem competência e serviços prestados. Outros candidatos torraram milhões e tiveram o apoio de várias lideranças de bairro, de vereadores, e segundo alguns observadores, conseguiram se eleger graças a milhões desviados do contribuinte cuiabano. Esse é o caso de vitória eleitoral com sabor de derrota política. Já Gisela, é o contrário, em que pese ter sido derrotada eleitoralmente, ele teve uma belíssima vitória política.

 

Outro que teve uma vitória política e consolidou sua liderança foi o senador Wellington Fagundes.

 

Antes da convenção, Wellington sofreu um ataque especulativo sem precedentes na história de Mato Grosso. Poucos acreditavam que ele seria candidato. Mostrando sua capacidade de aglutinar e muita habilidade política, não só conseguiu sacramentar sua candidatura como fez o maior arco de aliança. Montando um palanque, que a luz da razão, todas as classes e todos os segmentos se sentiram representados.

 

De um lado, enfrentou a máquina do governo, e do outro lado mais de oitenta por cento do PIB de Mato Grosso. Terminou em segundo lugar. Fez uma campanha limpa e de propostas. Venceu a máquina do governo, mas não superou o poder econômico, no entanto, sai como um dos grandes vencedores dessa eleição de 2018.

 

 

Rodrigo Rodrigues, empresário, jornalista e graduado em Gestão Pública.

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