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CIDADES Terça-feira, 24 de Outubro de 2017, 08:37 - A | A

24 de Outubro de 2017, 08h:37 - A | A

CIDADES / APONTA ESPECIALISTA

Cerca de 12% da população brasileira sofre de azia pelo menos uma vez por semana

Da Redação



Mais de 20 milhões de brasileiros sofrem com a azia, sintoma clássico da doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). As pesquisas também apontam que 12% da população do país sofre de azia pelo menos uma vez por semana.

 

Reprodução

azia

 

Os dados foram reforçados pelo membro titular da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FGB) e professor-adjunto do Departamento de Clínica Médica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o doutor em medicina (gastroenterologia) Luiz João Abrahão Júnior, durante a sexta edição do “Gastrinho” – um programa voltado para a atualização médica em cirurgia digestiva, realizado na última sexta (20) e sábado (21), em Cuiabá.

 

Conforme o especialista, o aumento no quadro de pessoas afetadas pelo refluxo – tanto no Brasil quanto no mundo – é alarmante e requer atenção. "Esta é uma doença em franca ascensão e seu impacto na qualidade de vida das pessoas é brutal. Alguns pacientes chegam a ter medo de comer e não dormem bem. A tosse crônica, por exemplo, se torna – por vezes – um problema social e afeta o trabalho", destacou.

 

O especialista disse que a DRGE – que é causada pelo retorno do conteúdo intragástrico do estômago para o esôfago – já atinge cerca de 20% da população mundial. “Um dos fatores a que atribuímos este quadro é o ganho de peso da população”, alertou. Luiz João, que também ministrou a miniconferência “Esofagite Eosinofílica", uma doença crônica imunomediada, destacou a importância da dieta para um tratamento eficaz.

 

TRANSPLANTE DE FEZES – Também sob o viés da gastroenterologia clínica (área que atua na análise, prevenção e tratamento das doenças e transtornos ocorridos no sistema digestório) outro tema ganhou destaque no evento. Trata-se do transplante de fezes, que já é uma realidade e é usado para tratar doenças de intestino – como, por exemplo, o tratamento de infecção pela bactéria Clostridium difficile, responsável por provocar fortes diarreias, dores de barriga e, até mesmo, desidratação severa.

 

De acordo com a médica Sthephani Fraga, a ideia é levar bactérias benéficas do intestino de um indivíduo saudável para o outro que não está. No entanto, o tratamento terapêutico ainda possui alguns desafios.

 

"Há muita resistência por parte dos pacientes em relação ao tratamento e um dos desafios dos profissionais está em convencê-los. O transplante de microbiota fecal (FMT, em inglês) é uma modalidade de tratamento emergente e com índices de cura atingindo cerca de 70-80% para Clostridium difficile. Para isso, os doadores – que costumam ser familiares ou voluntários – passam por rigorosos testes e questionários. Enquanto que os receptores recebem uma preparação intestinal”, explicou.

 

Na prática, o tratamento – que é ministrado, por vezes, via oral por meio de cápsulas – é resultado das seguintes etapas. Após a doação, o conteúdo é misturado em um diluente – que pode ser água potável, leite ou soro fisiológico – em um liquidificador ou manualmente. Cada 300 ml de diluente requer de 50-60 gramas de fezes. Para deixar a mistura bem líquida, pode-se filtrá-la ou centrifugá-la. Posteriormente, o conteúdo é encapsulado para uso, sendo recomendado ainda fresco.

 

Tal clareza da importância que o microbioma do intestino, também chamado de “flora intestinal”, para o ser humano também foi reforçado pela representante da FGB, a gastroenterologista Elaine Moreira, em sua palestra sobre Disbiose Intestinal – termo científico que define o desequilíbrio entre as bactérias do intestino. “Podemos dizer que somos mais microbianos do que humanos. O intestino é como o nosso segundo cérebro”, ponderou.

 

GASTRINHO – A sexta edição do Gastrinho reuniu cerca de 43 especialistas em 30 palestras e diversas atividades – entre elas, a divulgação de trabalhos acadêmicos, uma série de cirurgias de correção de hérnia inguinal para o aprimoramento da técnica de Liechtenstein por médicos mato-grossenses, bem como um treinamento voltado para residentes, com foco teórico, em videocirurgia.

 

Com miniconferência e palestras de alto nível sobre temas atuais, o evento estimulou a pesquisa e também contou com a divulgação de trabalhos acadêmicos. Além de “Gastroenterologia Clínica”, entraram em cena durante o evento pautas como “Pré e Pós-Operatório – Projeto Acerto” e "Propedêutica Laboratório e Imagem", temáticas envolvendo aspectos relativos às cirurgias de "Fígado" e “Vias Biliares”, bem como “Cirurgia Bariátrica”, “Hérnia Coloproctologia” e “Urgência e Emergência”.

 

Tendo como objetivo desmistificar a área de cirurgia do aparelho digestivo e estimular a atualização médica sobre o tema no Estado, o Gastrinho foi promovido pelo Hospital Santa Rosa – por meio do Programa de Residência Médica Centro de Estudos Dr. Cervantes Caporossi – em conjunto com a Liga de Cirurgia do Aparelho Digestivo (LCAD) da Unic, o Colégio Brasileiro de Cirurgiões – Secção Mato Grosso (CBC-MT) e a Federação Brasileira de Gastroenterologia (FGB).

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