Cuiabá, 19 de Maio de 2024

CIDADES Sexta-feira, 09 de Junho de 2017, 09:46 - A | A

09 de Junho de 2017, 09h:46 - A | A

CIDADES / ASSÉDIO MORAL

Justiça do Trabalho condena empresa após chefe chamar funcionária de "enxada cega"

Por Suelen Alencar/ Única News



 

Justiça do Trabalho

 

A funcionária de uma empresa de energia no município de Alto Araguaia (418km de Cuiabá) deve recebe R$ 10 mil de indenização por danos morais, após decisão da Justiça do Trabalho. 

 

Conforme consta nos autos, a mulher foi contratada em março de 2013 para exercer a função de auxiliar de produção agrícola e em agosto de 2015 passou a ser operadora de trator, ocupação em que ficou até novembro do mesmo ano, quando foi dispensada sem justa causa. No entanto, no tempo que trabalhou na empresa sofria constantes humilhações e cobranças realizada por meio de uma rádio interna, usada pelos colegas e também pela chefia.

 

"A todo momento era chamada atenção na frente dos colegas com cobranças públicas, nas quais ela era obrigada a escutar termo como 'imprestável', 'que não valia para nada'. O tratamento era recebido de um superior na empresa, ouvia constantemente pelo autofalante xingamentos como 'enxada cega', 'burra', 'ruim de serviço' e 'imprestável', Descreve publicação no site do Tribunal Regional do Trabalho.

 

Segundo o TRT, a funcionária chegou a procurar pessoas da empresa para comunicar o que vinha ocorrendo mas nada foi feito e ainda ouviu que não havia necessidade de informar a diretoria da empresa. Depois disso, aquela rotina a deixou com o psicológico abalado e  precisou buscar ajuda profissional para a lidar com as humilhações sofridas. 

 

Quando o caso chegou a Justiça, a empresa negou todas as acusações e garantiu que nunca houve perseguições, humilhações e que todos os empregados com dignidade e respeito. No entanto, as testemunhas confirmaram as alegações da trabalhadora. Uma delas contou ainda que as humilhações eram escutadas em quase todos os cantos da empresa, já que a rádio tocava pelos corredores, dentro das máquinas, no trator e na área de vivência. 

 

Outra testemunha descreveu  que o responsável por aquelas humilhações ria muito e dizia a todo momento que ela seria dispensada. Segundo esta testemunha, nas trocas de turno o ‘chefe’ pegava um pedaço de cano e jogava nas penas e na bunda da reclamada. Já as testemunhas arroladas pela empresa disseram não terem conhecimento desses fatos. 

 

Como as testemunhas da empresa ainda estavam trabalhando no local, o juiz da Vara do Trabalho de Alto Araguaia, Juarez Portela, considerou que elas tinham mais credibilidade e considerou o assédio moral comprovado. Portela destacou o descaso da empresa com as situações de assédio moral. Visto que uma simples pesquisa junto aos encarregados teria tomado conhecimento de tudo.

 

“O trabalhador deve ser tratado com educação, deve haver o mútuo respeito dentro do ambiente de trabalho”.

 

Segundo o juiz, ficou demonstrado pelos depoimentos pessoais e testemunhais, sem qualquer sombra de dúvidas, o ato ilícito, a culpa e o dolo na omissão da empresa.

 

“A vida privada e a intimidade das pessoas não podem serem violadas, xingamentos, humilhações, obrigam os trabalhadores a viveram em condições subumanas, colocando-os, como se afirmou, em condições análogas a de um escravo, devendo ser reprimido tais situações, pois estas prejudicam e ofendem a sua intimidade, moral e dignidade”, concluiu. O caso ainda cabe o recurso. 

 

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