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Sexta-feira, 26 de Maio de 2017, 10h:19

Alto comando da PM define coronel que vai investigar escutas clandestinas em MT

Da Redação

(Foto: Ilustração)

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O coronel da reserva Jorge Catarino passa a ser o responsável pelas investigações das denúncias de suposta rede de escutas clandestinas atribuídas a membros da corporação.  A decisão da Corregedoria da Polícia Militar já é uma resposta, inclusive, às prisões do ex-comandante da Polícia, coronel Zaqueu Barbosa, e do cabo Gerson Luiz Correa Junior.

 

Inicialmente o coronel da reserva Denésio Pio da Silva teria sido escolhido para comandar as investigações. Mas sob o argumento de que já teria atuado como advogado de Zaqueu Barbosa, ele optou em não pegar o caso para não ser mais lá na frente arguído de suspeição. 

 

Com a negativa do oficial,  nesta última quinta-feira(25), foi escolhido outro coronel e sua nomeação para apurar os grampos ilegais deve ser publicada ainda nesta sexta-feira (26), no Diário Oficial.  Agora o novo chefe do caso tem até 40 dias, podendo ser prorrogáveis por mais 20, para planejar como deverão ser estabelecidas as regras para o trabalho. Além da conduta dos dois militares presos, a comissão responsável pelas investigações vai apurar envolvimento de outros policiais no esquema.

 

O alto comando da PM deverá trabalhar em sintonia com as investigações que também já vem sendo realizadas pela Procuradoria Geral da República, além do Tribunal de Justiça de Mato Grosso e o Ministério Público Estadual. 

 

Rede clandestina de grampos

 

A denúncia da existência de ua rede de escutas ilegais em Mato Grosso e que, supostamente, teria o conhecido do Palácio Paiaguás, foi denunciado pelo promotor de Justiça Mauro Zaque- em outubro de 2015, na época ainda na condição de secretário de Estado de Segurança Pública -, à Procuradoria Geral da República.

 

No relatório, Zaque detalhou o esquema que seria pelo método conhecido como “barriga de aluguel”. De acordo com o promotor, o Núcleo de Inteligência da Polícia Militar solicitava interceptações de eventuais criminosos – no caso, uma quadrilha de tráfico de drogas e, posteriormente de assaltantes – e incluía nomes de outros alvos, que não tinham relação com os crimes.

 

Na denúncia, é relatado que os grampos eram solicitados a um juiz de Cáceres pelo Ministério Público Estadual, com base em pedidos da Inteligência da Polícia Militar.

 

O escândaloganhou repercussão nacional, após extensa matéria veiculada no Programa Fantástico, da Rede Globo, apontando que os grampos ilegais teriam monitorado 120 nomes, dentre eles a deputada Janaina Riva do PMDB e seu correligionário de partido, o deputado federal Carlos Bezerra, além de advogados, médicos e jornalista.

 

Em Mato Grosso, o esquema de interceptações telefônicas criminosas logo que veio à tona causou imediatamente uma baixa no staff do chefe do Executivo estadual, o tucano Pedro Taques, seu secretário Chefe da Casa Civil, Paulo Taques. mas a justificativa para a saída de Paulo seria seu retorno à advocacia. E que ainda poderia atuar - em caso de necessidade -, como defensor do gestor estadual no caso da rede de escutas clandestinas. Ainda que o governo negue veemente que tenha conhecimento do fato.

 

Aliás, no último 16 de maio, o chefe de Estado protocolou denúncia contra Zaque no Ministério Público Estadual, na PGR e no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). Nos documentos, o tucano acusou o promotor de cometer os crimes de falsificação de documento público, prevaricação, em razão de ter deixado de praticar ato de ofício, e denunciação caluniosa.