Cuiabá, 15 de Junho de 2024

POLÍCIA Quarta-feira, 29 de Maio de 2024, 11:14 - A | A

29 de Maio de 2024, 11h:14 - A | A

POLÍCIA / "DETENÇÃO TRUCULENTA"

Defensora pública-geral diz que PM tomou celular e puxou cabelo de servidora presa durante invasão de terras

Gabriela foi presa durante a ação de desocupação de terras realizada pela Polícia Militar, no município de Novo Mundo, na segunda-feira (27)

Christinny dos Santos
Única News



A defensora pública-geral de Mato Grosso, Luziane de Castro, alegou que os policiais envolvidos na prisão da servidora Gabriela Beck, puxaram o cabelo da mulher e agiram de forma "absolutamente desproporcional e truculenta". O órgão informou que irá representar contra estes policiais, junto ao Conselho Nacional de Direitos Humanos, Ministério Público do Estado e Comando-Geral da Polícia Militar de Mato Grosso.

Gabriela foi presa durante a ação de desocupação de terras realizada pela Polícia Militar, no município de Novo Mundo, na segunda-feira (27). Segundo a defensoria, a servidora tentava assegurar a integridade das famílias assentadas e mediar o conflito, no entanto, ao chegar no local, a desocupação já havia sido finalizada e 12 pessoas, acusadas de envolvimento na ocupação da área, haviam sido detidas. Ao tentar intermediar a situação, Gabriela acabou presa.

A defensora pública-geral entendeu que houve uma violação de prerrogativas para a execução da prisão. Gabriela teria pegado seu celular para filmar o relato dos assentados, momento em que foi ordenada a entregar o parelho e recebeu voz de prisão.

O órgão apontou ainda o Major da Polícia Militar que comandava a operação puxou os cabelos da defensora e arrancou sua bolsa de forma brutal, machucando seu rosto e pescoço. "Houve agressão física, apreensão de celular, configurando uma grave violação das prerrogativas profissionais da Gabriela Beck que, eu volto a dizer, estava ali no exercício da função de defensora pública. Ela estava trabalhando e ouvindo as pessoas que já haviam sido retiradas da ocupação. A desocupação, portanto, já tinha ocorrido", disse a defensora pública-geral.

"A defensora foi acionada no dia 27 de maio por meio de um ofício da CPT (Comissão Pastoral da Terra), solicitando providências para resguardar as vidas e a integridade física daquelas famílias que estavam no assentamento. A resposta violenta dos policiais demonstrou-se, no nosso entendimento, absolutamente desproporcional e truculenta", pontuou Luziane de Castro.

A instituição também irá solicitar ao Conselho Nacional das Defensoras e Defensores Públicos-Gerais (Condege) a proposição de um projeto de lei que garanta a prisão de defensores públicos somente por ordem judicial ou em flagrante por crimes inafiançáveis.

OUTRO LADO

Procurada pelo Única News, a Polícia Militar se recusou a falar sobre a denúncia contra o militar e afirmou apenas que "os motivos que levaram às conduções estão no resumo da ocorrência".

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