Cuiabá, 25 de Maio de 2024

POLÍCIA Sexta-feira, 28 de Julho de 2017, 14:40 - A | A

28 de Julho de 2017, 14h:40 - A | A

POLÍCIA / CASO RODRIGO CLARO

Selma acata denúncia contra tenente por morte de bombeiro e determina uso de tornozeleira

Por Suelen Alencar/ Única News



TJ-MT

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A juíza Selma Rosane Arruda, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá acatou a denúncia do Ministério Público Estadual (MP) contra a tenente do Corpo de Bombeiros Izadora Ledur de Souza Dechamps pela morte do aluno Rodrigo Patrício Lima Claro, de 21 anos, que passou mal durante um treinamento em novembro de 2016.  A tenente e outros cinco militares devem responder pelo crime de tortura. 

 

A magistrada determina que Ledur seja monitorada por tornozeleira eletrônica para evitar o risco de novas infrações, mas negou o pedido de prisão preventiva feito pelo promotor Sérgio Silva da Costa. 

 

"...Há medidas cautelares diversas da prisão capazes de assegurar que a denunciada não volte a delinquir e não tenha qualquer influência junto a testemunhas, de modo a garantir tanto a ordem pública", diz trecho da decisão de Selma.

 

(Foto; Reprodução)

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Denúncia do MP

 

Na semana passada, o promotor de Justiça Sérgio Silva da Costa sugeriu a prisão preventiva da oficial, sugeriu o pagamento de indenização à família do bombeiro e apontou "perfil perverso" a tenente. Para o promotor a atitude  da oficial "não emergiu de um rompante momentâneo",  ou mesmo foi fruto de uma condição passageira, mas sim por fazer, essa conduta, "parte do perfil perverso da denunciada".

 

“A magnitude dos fatos apurados no presente caso, revela também que a decretação da prisão da denunciada é necessária para assegurar o bom desenvolvimento da instrução criminal, até a total prestação jurisdicional, devendo ser considerado, ainda, o fato da existência de pujante hierarquia militar dentro da Corporação do Corpo de Bombeiros e que mesmo de forma velada, os alunos que almejam seguir carreira nessa Corporação, estão expostos a pressão exaurida pelos seus superiores, mais precisamente nesse caso, da denunciada Izadura, que ainda detém cargo de alta patente no Corpo de Bombeiros, fato esse que pode comprometer o devido andamento do processo, turvando a veracidade do ocorrido”, afirmou o promotor de Justiça. 

 

Corpo de Bombeiros

 

Em junho, a Corregedoria do Corpo de Bombeiros negou o pedido de indenização da família do aluno soldado Rodrigo Claro. De acordo com a corporação, o caso de Rodrigo "não vislumbra amparo legal para pagamento de indenização", devido ao resultado do laudo da Politec que apontou a causa da morte por hemorragia cerebral natural, ou aneurisma.

 

Na época, a nota emitida pelo Corpo de Bombeiro, a Lei Complementar Nº 555, de 29 de dezembro de 2014, o Estatuto dos Militares do Estado de Mato Grosso prevê no Art. 199, em casos que cabem indenização, “será paga aos dependentes do militar estadual que vier a falecer em razão de ferimento ou acidente de serviço, ou em decorrência dele (...)”.

 

(Foto: Internet)

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Rodrigou pediu "pelo amor de Deus"

 

Conforme noticiado em abril, pelo site Única News,  uma das testemunhas que estavam no treinamento aquático na Lagoa Trevisan, do 16º Curso de Formação de Soldado Bombeiro Militar do Estado, disse em depoimento à Polícia Civil, que Rodrigo Claro pediu “pelo amor de Deus” para não terminar a atividade de travessia da Lagoa. 

 

O documento, adquirido com exclusividade pelo site Única News, descreve ser “incontestável que a Tenente BM, Ledur, realizou procedimentos de submersão do aluno na Lagoa, também chamados de ‘caldos’, muito embora a mesma alegue em seu interrogatório, que utilizou a técnica de nado resistido no aluno”.

 

De acordo as informações, a oitiva dos alunos mais próximos da vítima, por si só já seria mais do que suficiente para ter uma ideia do que houve na instrução, realizada na Lagoa Trevisan, em 10 de novembro de 2016. Contudo, a Polícia Civil optou por realizar a oitiva com todos os alunos do 2º Pelotão.  No inquérito, constam informações de alunos que “nada observaram” por estarem distantes do quarteto formado pela vítima. Por outro lado, há depoimentos que devem ser salientados.

 

Em um dos trechos do inquérito policial, vê-se que na atividade desenvolvida em 10 de novembro de 2016, na Lagoa Trevisan, uma testemunha descreve que chegou cerca de cinco minutos à frente de Rodrigo. Segundo ele, era visível a todos no local o estado de exaustão da vítima, que durante a discussão entre a tenente Ledur e Rodrigo, no momento em que ele tentava sair da água, “era impedido devido a oficial se colocar à frente”.

 

A testemunha conta que ouviu Rodrigo reclamar de dores de cabeça nessa ocasião e relatou ainda que escutou Rodrigo pedindo “pelo amor de Deus” para não continuar na atividade. “No retorno, o depoente observou os colegas rebocando Rodrigo, que visivelmente não respondia a nenhum dos estímulos, não conseguindo se sustentar por si só”.

 

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