Cuiabá, 30 de Maio de 2024

POLÍCIA Domingo, 14 de Maio de 2017, 15:00 - A | A

14 de Maio de 2017, 15h:00 - A | A

POLÍCIA / UM PEDIDO DE JUSTIÇA

Um domingo incompleto, conheça a história de Jane e Carla vítimas da perda e da impunidade

Por Suelen Alencar/ Única News



Um dia de muita alegria para aqueles que ainda detém o direito inviolado de contar com presença dos que amam, é o domingo do Dia das Mães. Essa é a história que todo mundo quer contar nesse 14 de maio de 2017. Mas  há os que enfrentam esse dia com a dor, saudade e a tentativa diária de superar uma perda e por isso tem algo mais a revelar.

 

Jane Claro - mãe que chora a perda de um filho-, e Carla Araújo -que não pode ter mais a presença da mãe-, são integrantes de duas histórias sem ligação entre si, mas que compartilham semelhanças - a saudade e a sensação de injustiça. Para aqueles que por um momento marcante na vida encaram essa data - dia das mães-, como parte de uma luta, o enredo pode ser delicado, mas é preciso contar.

 

(Foto:arquivo pessoal)

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 Fernanda Araújo e sua mãe Simone Araújo.

Carla Araújo, de 25 anos é mãe de Geovana (8) e Lucas (3) por isso tem todos os motivos para comemorar esse domingo (14). No entanto, quando terminam os abraços, a euforia de receber os presentes, a reunião de família ,uma presença lhe falta - a de Simone sua mãe que foi brutalmente assassinada em outubro de 2015. 

 

Simone Barbosa de Araújo tinha 43 anos quando, próximo a uma cachoeira, na cidade de Alto Araguaia (418 km de Cuiabá) seu corpo foi encontrado com um calça amarrada no pescoço. O corpo foi encontrado por um senhor que mora na região. De acordo com os autos, Sinome sumiu após uma noite de festa com amigos e o namorado. Mãe, avó, hoje é a parte da dor de Carla, sua filhamais velha. Viva, generosa e guerreira hoje faz parte do cruel número das estatisticas de casos de homicídio no Brasil.

 

Na época, outubro de 2015 a imprensa  local chegou a noticiar 'que o suicído não era descartado no caso de Simone', já que sua calça jeans estava amarrada em seu pescoço. No entanto, o laudo pericial descartou a hipótese e não constatou água nos pulmões - considerando que o corpo foi encontrado na chamada 'Cachoeira da Usina', sugiu os boatos de que ela poderia ter atentado contra a própria vida. E mais uma vez o laudo contradisse as versões, a causa da morte por asfixia com estraglamento. 

 

A filha Carla que na época da tragédia tinha 23 anos, hoje conta ao site Única News o que ainda não foi dito a ninguém. O desabafo é uma mistura de gratidão e a busca esperançosa por justiça. O principal suspeito não está preso, o inquérito polícial ainda não foi encerrado - pelo menos até a data de abril de 2017-, momento que a reportagem esteve na cidade. Enquanto isso, a dor se mantém viva e segundo Carla, a impunidade é "humilhante''. Não só hoje, mas todos os dias   "sem nenhuma posição, nenhuma resposta", desbafa Carla.

 

O delegado que iniciou as investigações do caso foi transferido, e novo garantiu finalizar o inquérito do homicidio qualificado de Simone, moradora do bairro Vila Aeroporto, ainda esse ano. Algumas informações sobre as investigações ddo crime, segue em sigilo e a nossa reportagem só teve acesso porque a família quer revelar o que estão passando.  Dona Creuza - mãe de Simone-, e a irmã de Carla, a Fernanda Araújo de 22 anos também são vítimas dessa dor. Essa nãoé uma história de comemoração para a data festiva desse domingo (14), mas precisa ser revelada.

 

Para contar essa história, optamos por revelar a mensagem de Carla na íntegra:

 

Falar da minha mãe é felicidade, entusiasmo, alegria nos olhos, mas ao mesmo tempo dor e tristeza por saber que infelizmente já não posso compartilhar da tamanha felicidade que só ela era capaz de proporcionar. Meu coração dói, a cada instante que eu lembro que ela já não está mais aqui do meu lado. Minha mãe era tudo na minha vida. Eu a amava e a amo com toda força que existe dentro de mim. Era o meu alicerce, meu orgulho de pessoa. Muito guerreira, esforçada e carinhosa. A vida dela era trabalhar e se dedicar a todos ao seu redor.

 

Eu tenho dois filhos que para ela eram os "filhos" dela. Minha mãe dava (sic) a vida por eles. Quando eu penso que já não posso mais vê- lá, abraçá-la, sentir o cheirinho dela, ouvir sua gargalhada, dá vontade de nem querer mais viver. Quando ela se foi parte de mim se foi também.

 

Pensar na forma como ela faleceu me mata por dentro. Minha mãe não merecia um final cruel daquele. Ser morta por enforcamento, amarraram sua própria calça em seu pescoço e não satisfeitos, ainda tiveram a covardia de jogá-la no rio. Uma mulher tão amiga, companheira. Todas as pessoas que tiveram a oportunidade de conhecê-la adoravam seu jeito espontâneo, divertido de ser. Eu fico me martirizando até hoje, porquê de fazerem aquilo com ela? Porquê?! E sinceramente eu acredito que a morte dela não ocorreu somente por uma Pessoa.

 

Eu sinto que um dia toda a verdade irá aparecer - de que teve sim mais de uma pessoa envolvida-. Por tudo o que já investigamos por conta própria, pelas histórias dos vizinhos de onde minha mãe foi vista pela última vez viva e por toda a situação que houve depois da sua morte. Eu infelizmente não acredito muito na justiça aqui da cidade onde moro, é decepcionante dizer isso, mas eu suspeito das autoridades pois na época do ocorrido a falta de interesse deles foram gigantescas. Boatos chegaram para nós que somos da família, que pagaram até propina para o outro delegado que estava no comando da cidade na época para não mover um NADA para descobrir quem eram os envolvidos. É muito triste e humilhante viver dessa maneira, sem nenhuma posição, nenhuma resposta.

 

O que me 'mantém de pé' e me dá forças para continuar nessa luta diária são meus filhos.  Poder contar a eles é esperançoso e de todo o amor que ela [Simone] sentia e dedicava a eles. As lembranças maravilhosas e os ensinamentos lindos que a mim e a minha irmã foram dados pela minha mãe sempre será muito gratificante ensinar aos meus filhos. O que me mantém de pé é saber também que por mais tarde que seja, uma hora a justiça de Deus se fará. Nessa sim, eu confio cegamente, pois sei que Ele faz tudo certo. 

 

'MÃE, A SENHORA É E SEMPRE SERÁ O MEU MAIOR ORGULHO DE MULHER, DE SER HUMANO*.. Saudades eterna!!!

 

Carla, 14 de maio de 2017 - De Alto Araguaia.

 

O domingo sem Rodrigo 

 

(Foto:arquivo pessoal)

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Agora é que vem a história de Jane. Um relato recente que ainda está com a 'ferida aberta', pelo menos é assim que ela nos conta. Jane Claro é mãe e nesse domingo (14) poderia comemorar com uma imensa satisfação de ver o filho de 22 anos como soldado do Bombeiro, mas não é assim que termina essa história.

 

Jane Claro passa pela primeira vez o dia das mães sem o filho, Rodrigo Claro de 22 anos morreu em decorrência de um Hemorragia cerebral, em um hospital particular de Cuiabá,no mês de novembro de 2016 - cinco dias após sofrer tortura em um treinamento aquático na Lagoa Trevisan, do 16º Curso de Formação de Soldado Bombeiro Militar do Estado de Mato Grosso. O inquérito polícial, um documento de 41 páginas, adquirido com exclusividade pelo site Única News, aponta a Tenente BM Ledur como principal suspeita de ter realizado procedimentos de submersão do aluno na Lagoa, também chamados de ‘caldos’. O caso segue para o Ministério Público que deve decidir se há indicios para um julgamento ou não. 

 

Moradora de Tangará da Serra ( 240 km da capital), na época da tragédia, Jane Patricio Claro não comemora por completo esse domingo  porque diz que "a saudade doe no mais profundo da alma". O sonho de ver o filho formado, junto com o pai que também é bombeiro lhe foi arrancado sem aviso, sem preparo e lhe 'machuca todos os dias".

 

A mãe de Rodrigo, usa frequentemente as redes sociais para pedir "justiça" pela morte de seu filho. O caso ganhou repercussão após a divulgação de mensagens entre Rodrigo e ela[mãe] – pelo Whatsapp -, no conteúdo o aluno confessa que se sentia perseguido pela oficial. No dia em que completou 4 meses da morte do filho, Jane Claro publicou via Facebook, sua indignação.

 

(Foto:arquivo pessoal)

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"Porque não permitiram a você a chance de ser um grande profissional? Porque não te permitiram viver seu sonho? Porque fizeram tantas maldades com você? Justo com vc, que nunca fez mal a ninguém , que tinha um coração puro, que desejava o bem e praticava o bem por onde passou... Até quando será permitido esses abusos? Até quando essas pessoas maldosas serão protegidas? São muitas perguntas, nem uma resposta..."

 

Nesse domingo (14), Jane conta ao Única News, por meio de uma mensagem da web porquê a falta de justiça prolonga a ferida mais profunda em sua vida.

 

Veja na íntegra o que Jane nos conta:

 

 Boa tarde... 

 

Essa foi uma semana muito difícil, pois me dei conta de que nesse dia das mães não terei a presença do meu amado filho Rodrigo, e doi ainda mais a certeza de que nunca mais terei um dia das mães completo, com a presença dos meus 3 filhos. Sinceramente, a vontade que tenho é de dormir essa noite e acordar somente na segunda-feira, mas me 'coloco de pé' ao me lembrar que tenho outros 2 filhos que precisam do meu colo, dos meus cuidados de mãe. 

 

Quando a saudade doe no mais profundo da minha alma eu Clamo ao Senhor, Misericórdia.  Pois, somente Deus pode me ajudar a conviver com essa dor e com essa saudade que cresce que se agiganta cada dia mais e mais. Peço aquele colo de Maria, que também sofreu ao ver seu filho Jesus ser Crucificado impiedosamente. Clamo ao Senhor! que acalme me coração. 

 

Eu creio que em nome de Jesus a Justiça do homem será feita, ainda que pela metade, mas será.  E se acaso a justiça do homem não acontecer, da Justiça de Deus nem ela [teneten Ledur] nem aqueles que permitiram que ela torturasse meu filho e o levasse a morte, nem um deles vão escapar dessa Justiça. A Justiça Divina, não tem um preço, a justiça Divina não se corrompe. Não podemos esquecer nunca que Deus é Amor, mas também é Justiça. 

 

A força que busco primeiramente é a de Deus,  pois ele tem me carregado no colo, tem falado comigo diariamente, filha estou aqui, "vc não caminha sozinha, em seguida da minha família e dos amigos".Os meus Pais, meu filho caçula e meu esposo ambos com depressão e eu preciso cuidar deles.

 

 

(Foto:arquivo pessoal)

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Por fim, Jane se solidariza com outras pessoas que possam estar vivenciando a mesmo situação que a sua. 

 

Se joguem aos Pés de Jesus, não se entreguem ao desespero, pois é somente estando na presença do Senhor vamos conseguir conviver com essa dor avassaladora, com essa saudade  imensa, com esses dias vazios e sem cor.

E para as mães que tem seus filhos todos ao seu lado eu digo: Ame, Cuide, de carinho, de colo, beije, abrace a gente nunca sabe quando será o último Abraço, o último beijo, o último carinho. Eu não imaginava que último abraço que dei em meu filho, fosse realmente o último se eu soubesse teria abraçado mais, beijado mais, acariciado mais, teria dito mais filho Eu Te Amo. Pois foi essa a última frase que disse a ele em nossas conversas.

 

 

 

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