Cuiabá, 24 de Outubro de 2020

POLÍCIA
Domingo, 06 de Setembro de 2020, 12h:11

MAIS UMA VÍTIMA

VÍDEO: Médica ficou desfigurada e suportou situações degradantes nas mãos de advogado

Euziany Teodoro
Única News

Reprodução Instagram

Mais um relato forte e chocante vem à tona neste domingo (6), expondo os horrores que várias mulheres afirmam ter sofrido nas mãos do advogado Cleverson Contó, de Cuiabá, acusado de agredir física, psicológica e sexualmente suas ex-companheiras.

A médica Laryssa Moraes, acuada há três anos e meio por medo e ameaças, mesmo após se separar e denunciar o advogado, nunca tinha tocado no nome de seu agressor. Hoje, encorajada pelas outras mulheres que decidiram se expor e trazer a denúncia a público, falou com seus seguidores no Instagram sobre as atrocidades que viveu.

“Foi este senhor que me espancou brutalmente. Ele que quebrou meu nariz, ele que deslocou as minhas retinas, ele que pegou um pen drive e quis me estuprar com ele. Foi ele que fez tudo isso comigo. Então eu decidi que não ia ficar off, porque estou tendo coragem de falar o nome dessa pessoa, mesmo com medo de morrer, porque, sim, eu estou sendo ameaçada, porque só ontem mais quatro vítimas apareceram. Vítimas de humilhações, de estupro, de agressões, vítimas que foram coagidas e que nunca se manifestaram”.

Ela afirma ter sido agredida em várias outras situações, como por exemplo, por não fazer uma salada. Porteiros e vizinhos falavam com ela, oferecendo ajuda, mas o medo a fazia silenciar.

Arquivo pessoal

Laryssa Moraes agressão

 Laryssa, 15 dias após uma das agressões.

“Eu não quero nem citar as condições em que eu fui agredida, por proteção mesmo. Mas soco na cara, puxão de cabelo, empurrando da escada, batida de cabeça em quina. Eu apanhei porque não quis fazer uma salada. Era porteiro ligando para saber se estava tudo bem. Era vizinho me encontrando e falando ‘olha, estamos aqui, se precisar de alguma coisa’. Eu me escondendo, com olho roxo. (...) Eu atendi no consultório, falei que tinha tido um acidente de carro. Os meus pacientes todos me viram agredida e claro que eles não acreditaram, hoje eu sei”.

Para garantir que Laryssa fizesse segredo sobre o que passou, o advogado a ameaçava, sabendo de sua origem humilde e o quanto batalhou para alcançar a profissão que sonhava: a medicina.

“Ele me afastou do meu círculo de amizades. Minhas amigas não prestavam, minhas amigas não gostavam de mim, minhas amigas queriam ver meu ‘oco’. Quando eu vi, eu estava restrita ao círculo de amizades dele. Sozinha, com medo. Uma pessoa que sabe que eu vim de uma família humilde, sabia que eu tinha passado por muita dificuldade para conseguir me formar, sabia que eu tinha receio, porque a única coisa que eu tinha era minha profissão. Ele falava que ia acabar com isso”, conta.

Após uma das agressões, Laryssa conta ter ficado desfigurada, mas não denunciou. Não foi ao Instituto Médico Legal (IML) para fazer exame de corpo de delito. Ela explica porque.

“Vocês podem perguntar: ‘Por que você não foi no IML, quando ficou desfigurada?’. Eu fiquei desfigurada, mas eu fiquei com medo, eu fiquei com vergonha, porque eu conhecia os médicos do IML. Eu tive medo de me expor nessa situação. E quando você se relaciona com um sociopata, você acha que você é culpada”.

A médica também teria sido agredida em uma famosa padaria de Cuiabá. Na ocasião, uma pessoa se ofereceu para testemunhar e lhe enviar um vídeo que tinha feito da agressão. Pouco tempo depois, essa pessoa sumiu.

“Depois de pouco tempo, a testemunha desapareceu. Não atende, o vídeo: eu não sei. É com esse tipo de pessoa que a gente tem contado. Pessoa que compra testemunha, que ameaça a pessoa, que diz que vai acabar com a sua vida. Então, eu estou, sim, me arriscando. Eu já fui ameaçada depois da entrevista coletiva, mas eu não vou me calar dessa vez, porque eu decidi que eu vou ajudar. Eu tenho duas filhas mulheres e eu quero me solidarizar”, afirmou.

Denúncia

Laryssa denunciou o advogado há três anos e o processo corre em segredo de justiça na 2ª Vara de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher de Cuiabá. “Se você me perguntar se eu tenho medo de morrer, eu vou te dizer que tenho. Eu passei três anos em depressão. As marcas emocionais são muito profundas. As retinas deslocadas, o nariz quebrado, as marcas roxas, tudo isso é superficial perto da marca profunda que ele deixou no meu emocional. Decidi expor o caso para poder alertar outras mulheres sobre violência doméstica e poder salvar outras vidas”, disse ela ao Única News.

"Nunca deixe que alguém plante em você a semente da inferioridade."

No entanto, no início deste ano, Contó conseguiu derrubar na justiça a medida protetiva que a médica tinha contra ele. Apesar do medo, especialmente por estar sem a protetiva, sentiu apoio nas outras vítimas. “Vocês podem perguntar: ‘porque esperou 3 anos e meio?’. Sim, só agora que eu pude falar o nome, por medo, porque eu tenho os meus filhos, tenho meu marido, tenho minha família. Mas agora não sou eu, Laryssa, falando. São mais de 10 vozes e com certeza mais pessoas aparecerão”.

Depois de ver sua saúde emocional “virar pó”, hoje Laryssa trabalha justamente para ajudar outras mulheres a recuperar sua autoestima. Ela deixa um recado importantíssimo:

“Nunca deixe um homem falar para você, que você não é bonita o suficiente; que ele já ‘pegou’ mulheres muito mais bonitas que você; que você não é ‘tão inteligente assim’; que ninguém vai querer ficar com você, porque você vai virar um lixo depois de tudo que ele vai fazer; que você é feia; que as roupas que você usa não são adequadas. Nunca deixe que alguém plante em você a semente da inferioridade. A minha autoestima virou pó e eu reconquistei ela aos poucos. Não do jeito que eu gostaria, ainda, mas bem melhor do que já foi. Nunca deixe que um homem humilhe você”.

Veja o testemunho de Laryssa na sequência de vídeos abaixo.

 


1 COMENTÁRIO:







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Edivane   06-09-2020 20:52:38
Parece que todos são iguais mesmo. Meu ex marido nunca me bateu. Mas pra ele ninguém prestava que se aproximava de mim. As amigas ele julgava todas vagabundas e falava que ligavam pra ele falando mal de mim. Isso pra eu não falar com mais ninguém. A agressão sempre foi verbal e moral. Mesmo eu pesando 55kg ele me chamava de obesa. De gorda e eu me destruí tomando remédios pra emagrecer . Passarei s viver de remédios pra ser magra e outros pra dormir e outros pra me manter acordada . Pois trabalhava muito . As vezes chegava no trabalho sem dormir, com orelheiras enormes. Sempre falava que não adiantaria eu entrar com processo contra ele . Por que moramos no Brasil e quem sempre ganha e quem tem dinheiro que não é meu caso. Ele um procurador renomado jamais perderia um processo contra um pobre que trabalha pra sobreviver

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