Cuiabá, 27 de Maio de 2024

POLÍCIA Terça-feira, 14 de Maio de 2024, 17:17 - A | A

14 de Maio de 2024, 17h:17 - A | A

POLÍCIA / PREFEITURA EXONEROU

Vídeo mostra prisão de servidor de Cuiabá que participava de lavagem de dinheiro do tráfico

Ele é acusado de participar do esquema de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas, liderado por Paulo Witer Faria Paelo

Única News



Câmeras de segurança registraram o momento em que o servidor da prefeitura, Jefferson da Silva Sancoviche, foi preso nesta terça-feira (14.05), em Cuiabá. Ele é acusado de participar do esquema de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas, liderado por Paulo Witer Faria Paelo. O esquema foi desbaratado pela Operação Apito Final, que teve hoje sua segunda fase.

Jefferson foi preso dentro da Secretaria de Obras de Cuiabá. Ele era servidor concursado da Empresa Cuiabana de Zeladoria e Serviços Urbanos (LIMPURB) há quatro anos e estava cedido para a Obras, onde atuava como motorista.

Nas imagens é possível ver o momento em que pelo menos quatro agentes chegam ao local em uma viatura descaracterizada, abordam Jefferson e colocam em um Volkswagen Gol, que já estava estacionado no local. Ele foi levado para a Delegacia de Polícia Civil, onde deve prestar depoimento.

Poucas horas depois, a Limpurb informou que exonerou o servidor assim que soube da prisão. “A Empresa Cuiabana de Zeladoria e Serviços Urbanos (LIMPURB) esclarece que procederá com a exoneração imediata do colaborador em questão. O servidor foi aprovado em um processo seletivo e tomou posse do cargo há quatro anos. Durante o processo de contratação, apresentou toda a documentação e certidões que comprovaram a ausência de registros criminais. Além disso, ao longo do período em que exerceu suas funções no cargo público, nunca apresentou condutas consideradas criminosas. O funcionário estava atualmente cedido para a Secretaria Municipal de Obras”, informou a pasta, por meio de nota.

PRISÕES

Foram cumpridos dois mandados de prisão e um de busca e apreensão, deferidos pelo Núcleo de Inquéritos Policiais de Cuiabá, contra investigados identificados como ‘testas de ferro’ de Paulo Witer. A GCCO apurou que o homem e uma mulher, ela moradora do Jardim Florianópolis, constavam como proprietários e de um apartamento em um edifício de alto padrão na capital, contudo, quem passou a residir no imóvel foi Witer, logo após sair da Penitenciária Central do Estado, em dezembro passado, quando teve a progressão para o regime semiaberto autorizada pela justiça.

A GCCO apurou ainda que o servidor público não teria condições financeiras de adquirir um imóvel como o que constava em seu nome. Ele é contratado da empresa pública de limpeza urbana da capital e tem um salário bruto mensal de R$ 3.643,12.

“Ou seja, todas as informações levantadas reforçam mais uma manobra do principal alvo da operação Apito Final em ocultar seu patrimônio criminoso”, comentou o delegado Rafael Scatolon.

Durante o cumprimento dos mandados, a equipe policial apreendeu na residência de um dos investigados um veículo Toyota Corolla que teve mandado de sequestro determinado na primeira fase da operação Apito Final.

Embaraço à investigação

A Polícia Civil apurou que dias antes da deflagração da Operação Apito Final, o servidor público foi ao apartamento de Paulo Witer e retirou do local objetos que pudessem comprometer o investigado principal.
Witer foi preso pela Polícia Civil no dia 29 de março, em Maceió (AL). Na mesma data, horas após a prisão, o atual investigado foi ao apartamento e saiu do imóvel carregando uma sacola com vários objetos, entre eles a tornozeleira, desativada em seu apartamento, minutos após a prisão de Paulo Witer.

Além de Jefferson, a investigação da GCCO identificou outro comparsa e ‘fiel escudeiro’ de Witer, P.V.G.A., que ficou incumbido em diversas ocasiões de movimentar a tornozeleira do criminoso como se ele estivesse em Cuiabá. Para isso, esse investigado ia ao apartamento, retirava o equipamento e o levava até o bairro Jardim Florianópolis nas ocasiões em que Witer estava em viagens ao litoral de Santa Catarina e Rio de Janeiro.

No dia 14 de março, a Polícia Civil apurou que a tornozeleira emitiu a localização em um colégio de alto padrão na capital, onde o investigado foi levar a filha de Witer, que estuda no local. Porém, nesta mesma data, Paulo estava em Santa Catarina. Antes da data em que foi preso em Maceió, a tornozeleira emitiu sinal de que o investigado principal se movimentou de seu apartamento para um shopping da capital, contudo, o equipamento estava com seu comparsa.

Além da movimentação criminosa do equipamento, foi constatado ainda que P.V.G.A. fez diversas movimentações bancárias por seus ‘serviços prestados, em quantias superiores a R$ 19 mil.

Operação Apito Final

Em uma investigação que durou quase 2 anos, a GCCO apurou centenas de informações e análises financeiras que possibilitaram comprovar o esquema liderado por Paulo Witer para lavar o dinheiro obtido com o tráfico de drogas. Para isso, ele usou comparsas e familiares como testas de ferro na aquisição de bens móveis e imóveis para movimentar o capital ilícito e dar aparência legal às ações criminosas.

A operação foi deflagrada no dia 02 de abril, com a finalidade de descapitalizar a organização criminosa e cumprir 54 ordens judiciais, que resultaram na prisão de 20 alvos, entre eles o líder do grupo, identificado como tesoureiro da facção, além de responsável pelo tráfico de entorpecentes na região do Jardim Florianópolis. No bairro, Witer montou uma base para difundir e promover a facção criminosa agindo também com assistencialismo por meio da doação de cestas básicas e eventos esportivos.

A investigação da GCCO apurou que o esquema movimentou R$ 65 milhões na aquisição de imóveis e veículos. As transações incluíram ainda criação de times de futebol amador e a construção de um espaço esportivo, estratégias utilizadas pelo grupo para a lavagem de capitais e dissimulação do capital ilícito.

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