Cuiabá, 12 de Julho de 2024

POLÍTICA Quarta-feira, 17 de Outubro de 2018, 17:40 - A | A

17 de Outubro de 2018, 17h:40 - A | A

POLÍTICA / TROUXE VERDADES

MPE pede nova prisão de Gerson; defesa não vê necessidade

Luana Valentim



(Foto: Rogério Florentino)

Neyman e Gerson.jpg

 

Após o cabo da Policia Militar, Gerson Luiz Ferreira Corrêa Júnior ter confessado que descumpriu as medidas cautelares ao frequentar a casa de shows Malcon Pub, o Ministério Público Estadual pediu nesta quarta-feira (17), a decretação da prisão preventiva do militar.

 

Gerson é réu no processo que investiga os grampos ilegais em Mato Grosso que interceptou políticos, jornalistas e advogados entre 2014 e 2017. Devido a seus polêmicos depoimentos no dia 28 de julho e 27 de agosto, onde revelou informações importantes sobre o esquema que ficou nacionalmente conhecido como grampolândia pantaneira, o militar se tornou peça chave para o Ministério Público Estadual.

 

No dia 29 de setembro, após receber informações de que o militar teria violado as medidas cautelares impostas, o juiz da 11ª Vara Criminal de Cuiabá, Murilo Mesquita intimou o dono da casa de shows e determinou um prazo de cinco dias para que ele fornecesse a Justiça, por meio de um CD ou pen-drive, os dados biométricos da pessoa que teria se identificado como Gerson na entrada do estabelecimento no dia 30 de agosto.

 

O estabelecimento ainda teria que informar se, na ocasião, foi registrado consumo e pagamento conjunto de comandas e se o ‘referido’ cliente se apresentou na companhia de outras pessoas. Além de fornecer informações a respeito da forma de pagamento e qualificação completa de tais pessoas.

 

Também informar se a pessoa identificada como Gerson foi cadastrada (primeiro registro) no controle de acesso da empresa no próprio dia e se foi efetuado o seu registro fotográfico no cadastro, o que é comum em estabelecimentos congêneres.  Em caso positivo, teria que então fornecer a imagem fotográfica eventualmente capturada desta pessoa no dia do cadastro e no dia do evento.

 

Com isso, o juiz Wladymir Perri determinou no último dia 8, um prazo de dois dias para que a defesa de Gerson, os advogados Neyman Augusto Monteiro e Thiago de Abreu Ferreira se manifestassem sobre os novos documentos juntados ao processo em que aponta que o militar esteve na casa de shows.

 

O promotor de Justiça, Allan Sidney do Ó Souza alegou que a prisão preventiva poderá ser decretada como garantia da ordem pública e econômica, por conveniência da instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal quando houver prova da existência do crime e indício suficiente de autoria.

 

“No caso de descumprimento de qualquer das obrigações impostas, o juiz, de ofício ou mediante requerimento do Ministério Público, de seu assistente ou do querelante, poderá substituir a medida, impor outra em cumulação, ou, em último caso, decretar a prisão preventiva (art. 312, parágrafo único) ”, diz trecho do pedido.

 

Allan ainda relatou que restou clarividente o descumprimento das medidas cautelares impostas, representado não só pelas inúmeras violações apontadas pelo extrato de monitoramento eletrônico, assim como, principalmente, pela saída noturna desautorizada e injustificada, considerando que a justificativa apresentada pelo militar não é plausível.

 

A defesa do militar, o advogado Neyman Monteiro, relatou que ele esteve no estabelecimento entre 01h49 e 02h52, ficando apenas uma hora no local, após uma discussão com a esposa horas antes em sua residência e ‘culminou com a ida dela na casa noturna sem portar quaisquer documentação e dinheiro, totalmente desapontada e com os nervos à flor da pele’.

 

O que acabou fazendo com que Gerson se deslocasse até o local em companhia de um casal de amigos para ‘tentar acalmar os ânimos da esposa, remover as ideias desapontadas e removê-la daquele local a todo custo’.

 

No entanto, o promotor destacou que o caso é absolutamente grave, do ponto de vista de que Gerson, na primeira oportunidade de se manifestar a respeito dos fatos, foi até mesmo capaz de ‘forjar novas provas e arquitetar uma trama de mentiras, a fim de esquivar-se de eventual responsabilização pelo descumprimento das medidas, chegando-se ao ponto de assim dissertar: “Portanto Excelência, não é novidade nenhuma à defesa, ter aportado “do nada” ao conhecimento do Ministério Público, a notícia orquestrada de que o Cb. PM Gerson Correa estaria na madrugada do dia 31.09.2018 na Casa Noturna Malcon Pub, situado na Avenida Miguel Sutil, nesta urbe. Entretanto, a acusação excessivamente mentirosa e armada será rebatida adiante, e explicadas as supostas violações no equipamento eletrônico no período que foi remetido relatório”. (sic)

 

Ele ainda frisou que se comparar a história de Gerson com um personagem de um filme, não seria com o capitão Nascimento do Tropa de Elite, mas sim ao ‘Forrest Gump: O contador de Histórias’.

 

O promotor ainda ressaltou que não é a primeira vez que Gerson tem o seu nome envolvido nesse tipo de situação, pois conforme noticiado pela mídia em julho do ano passado, o militar teria saído da sede do Batalhão de Rondas Ostensivas Tático Móvel, em que cumpria prisão preventiva, para ir a uma casa de shows eróticos, a Crystal Night Club, em Cuiabá.

 

Sobre esta acusação, em específico, a defesa do militar, Neyman Monteiro declarou ao site Única News nesta quarta-feira (17), que o caso já foi arquivado, não havendo motivos para falar deste assunto.

 

Porém, o promotor disse que, mesmo com as negativas de Gerson sobre o caso, ficou uma ‘pulga atrás da orelha’ com relação as suas ‘verdades reais’. E que o militar externa seu total ‘desprezo’ pelas decisões deste Juízo, não são suficientes para conter o seu ‘espírito transgressor’.

 

“Destarte, pelas razões acima expostas, o Ministério Público requer a decretação da prisão preventiva do representado cabo PM Gerson Luiz Ferreira Corrêa Júnior, com a consequente revogação das benesses alhures concedidas a este”, finalizou.

 

Em nota, a defesa do militar esclarece que Gerson colaborou dizendo a verdade desvendando o esquema dos grampos ilegais e agora, só porque trouxe mais detalhes teve a 'espada de dâmo virada para ele'. Afirmando ainda que não vê necessidade em relação a uma nova prisão,  pois o cabo se apresentou e esclareceu os fatos.

 

Ele ainda alegou que o promotor mudou a sua versão da história após Gerson apontar dois promotores do Gaeco, provando algumas irregularidades.

 

Nota:

 

Diante da manifestação do MPE, quanto a prisão do Cabo Gerson, a sua defesa esclarece que:

 

1 - Causa espécie a manifestação do Digno Promotor que, como é de conhecimento DE TODOS OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO, após o primeiro depoimento do Cabo Gerson, afirmou que o mesmo colaborou e disse a verdade, desvendando o "esquema dos grampos", e agora, só porque o cabo trouxe mais detalhes do ocorrido, resolve "virar sua espada de DÂMO" para o Cabo Gerson;  

 

2 - Reitera que a prisão é desnecessária, porquanto (a) o cabo se apresentou e esclareceu os fato e (b) a instrução processual já acabou, razão pela qual os motivos para um decreto preventivo estão ausentes já que todas as provas foram colhidas e o feito irá concluso para sentença no mês vindouro;  

 

3 - Por fim, a defesa do Cabo Gerson, utilizando dos mesmos "trocadilhos" do digno promotor de justiça, afirma que a Grampolândia é real e o Cabo Gerson não é um contador de historias; e mais, não irá se admitir, que assim como "Gepeto" criou seu boneco vulgarmente conhecido na literatura infantil, como Pinoquio o Digno Promotor tambem mudou sua versão apos o segundo interrogatorio quando o cabo  ao utilizar documentos e provou algumas irregularidades de dois promotores do GAECO MUDOU SUA VERSAO QUANDO GERSON NO PRIMEIRO INTERROGATORIO MERECIA PERDAO JUDICIAL mudou de ideia, quem entao Gepeto criou? ;  

 

4 - Reiteramos que a verdade está posta nos autos e a sociedade sabe bem quem é o "dono da grampolândia" e seus "discípulos". Ministerio Público fezer parecer, mas quem decide são os julgadores a defesa aguarda o deslinde final dos autos.

 

Neyman Monteiro e Eurolino Reis

17.10.2018

FAÇA PARTE DE NOSSO GRUPO NO WHATSAPP E RECEBA DIARIAMENTE NOSSAS NOTÍCIAS!

GRUPO 1  -  GRUPO 2  -  GRUPO 3

Comente esta notícia

Kelundind 24/03/2019

Há expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas. Queira, por gentileza, refazer o seu comentário

positivo
0
negativo
0

1 comentários

1 de 1