Cuiabá, 10 de Abril de 2020

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Terça-feira, 17 de Março de 2020, 08h:00

SAÚDE

Fake news promovem mitos sobre coronavírus; infectologista responde principais dúvidas

Por Tamires José/Única News

(Foto: George Dias)

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Médica infectologista Zamara Brandão.

Qual foi a última informação ou recomendação que você ficou sabendo sobre o novo coronavírus (o Covid-19) – seja por alguém, texto, imagem, áudio ou vídeo? Tão veloz quanto a disseminação do próprio vírus ao redor do mundo está o compartilhamento de rumores e notícias sobre ele. No entanto, à medida que o medo e a insegurança também crescem, está cada vez mais difícil distinguir o que é verdade e o que é fake news sobre o coronavírus. 

 

Conforme alerta a médica infectologista do Hospital Santa Rosa, Zamara Brandão, antes de avaliar se uma informação procede ou se trata de um mito, é importante não só manter a calma, mas entender o que é um coronavírus. "Eles são uma grande família de vírus encontrados em animais (como morcegos) e humanos. Sete desses vírus atravessam a barreira interespécie, infectando as pessoas, e podem causar doenças, cujas gravidades são variáveis".

Zamara explica que o Covid-19 é uma nova cepa do coronavírus que não havia sido previamente identificada em seres humanos. "Ele faz parte de um grupo de doenças respiratórias que provocam sintomas semelhantes à gripe. A pessoa pode ter febre, tosse persistente, dor de garganta, espirrar, ficar com o nariz congestionado e apresentar diarreia. Algo semelhante ao H1N1. Seu diagnóstico é difícil e é feito por meio de exames laboratoriais". 

Em Cuiabá, o Hospital Santa Rosa aderiu à campanha de prevenção ao coronavírus. "A instituição conta com uma equipe capacitada para atender possíveis casos de coronavírus. Tanto que todo paciente que chegar com sintomas respiratórios deverá colocar uma máscara cirúrgica e se o mesmo esquecer, ela será oferecida. Inclusive, se você tiver uma viagem programada ao exterior – para um país com alta epidemiologia – e não puder adiar, leve uma máscara e tenha um álcool gel sempre por perto. Assim, você se protege e protege os outros passageiros", pontua Zamara.

A médica infectologista responde abaixo algumas dúvidas que circulam na internet sobre o novo coronavírus. Confira:

Coronavírus se espalha no ar por longas distâncias?

"A propagação ocorre por meio de gotículas respiratórias, mas já foi identificado na saliva, fezes, urina e sangue. E, quando se trata de gotículas respiratórias, por exemplo, ele não paira no ar. Atinge até um metro de distância. Por outro lado, o vírus pode contaminar superfícies. Então, tem que tomar cuidado quando for encostar em algo ou cumprimentar alguém para não tocar a mão em seguida nos olhos, nariz ou boca. Também vale evitar o compartilhamento de talheres e maquiagens".

É preciso se preocupar com a importação de bens da China?

"O Covid-19 tem uma estimativa de vida de aproximadamente nove dias em superfícies inanimadas e pode ser facilmente higienizado com álcool 70% ou hipoclorito de sódio. Logo, se comprar produtos na China, é pouco provável que o vírus sobreviva ao tempo de trajeto até chegar no Brasil. No mais, a prevenção está na esterilização do ambiente; na lavagem das mãos; no ato de cobrir a boca e o nariz com um lenço descartável quando for tossir ou espirrar ou usar o cotovelo; se estiver muito ruim, evitar sair de casa".

Grávidas e crianças estão mais suscetíveis ao vírus?

"Não são observados muito casos em crianças. Isso pode ser atribuído à imunidade delas que é diferente dos adultos. Quando infectadas, não apresentam sintomas exuberantes. Gestantes também não parecem ter uma facilidade maior de ter o vírus do que a população em geral. Aliás, o vírus não é transmitido ao bebê a partir do líquido amniótico e nem passa pelo leite materno. Apesar do Covid-19 apresentar alto nível de infectividade (fácil propagação de uma pessoa para outra), os casos que levam a uma maior gravidade não são tantos, se comparado com os de outros coronavírus que também provocam sintomas respiratórios – como o MERS e o SARS. Os quadros mais graves de Covid-19 estão aparecendo em pessoas mais velhas (acima de 60 anos) ou com algum tipo de comorbidade (como doenças cardiovasculares ou diabetes)".

Chá de erva doce, água morna ou uísque combatem ou protegem as pessoas em relação ao coronavírus?

"Erva doce não é componente do medicamento Tamiflu (retroviral usado para casos de gripe), como circulou na internet. E, portanto, não é eficiente no combate do coronavírus. Outra fake news diz respeito a tomar água morna de hora em hora, pois seria bom para levar o vírus que fica na boca para ser digerido no estômago. Infelizmente, isso não é verdade. A ingestão de uísque também não contribui. O melhor cuidado ainda é a prevenção".


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