Cuiabá, 23 de Setembro de 2019

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Sexta-feira, 19 de Julho de 2019, 14h:17

APESAR DA PREOCUPAÇÃO

Bolsonaro: governo manterá saques do FGTS, apesar da preocupação de empresários

Presidente disse que conversou na quinta (18) com dois empresários do setor da construção civil sobre impacto da medida. Recursos do FGTS são usados para financiar moradias a juros baixos.

Por Guilherme Mazui, G1
TV Globo

(Foto: Guilherme Mazui/G1)

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira (19) que, apesar de ter conversado na véspera com empresários do setor da construção civil, o governo manterá o programa de saques do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço (FGTS), cujo lançamento é aguardado para quarta (24).

O presidente comentou a liberação dos saques do FGTS após participar de uma solenidade comemorativa ao Dia do Futebol, no Ministério da Cidadania.

A informação de que o governo liberará saques do FGTS surgiu nesta semana. O ministro da Economia, Paulo Guedes, e o próprio Bolsonaro confirmaram a intenção de autorizar saques de contas ativas do fundo para tentar reaquecer a economia por meio do consumo.

 

O presidente da República relatou na entrevista concedida no Ministério da Cidadania que, nesta quinta-feira (18), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), solicitou a ele uma audiência no Palácio do Planalto, na qual levou dois empresários do setor da construção civil.

Segundo Bolsonaro, os empresários demonstraram preocupação com eventual perda de receitas por conta da liberação de recursos do FGTS. O dinheiro dos trabalhadores acumulado no fundo financia, entre outras ações, projetos habitacionais populares com juros abaixo do mercado, como o programa Minha Casa, Minha Vida.

No ano passado, a construção civil representou 4,46% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

O presidente assegurou que os dois empresários que acompanharam Alcolumbre na audiência ficaram satisfeitos com a reunião e que o encontro foi atualizado em sua agenda ao longo desta quinta. No entanto,, a agenda divulgada pela Secretaria de Comunicação do Planalto só registra audiência com o presidente do Senado.

"Eles [empresários da construção civil] foram tratar com o Davi Alcolumbre, com toda a certeza, a preocupação com a possível desidratação do FGTS, no tocante ao Minha Casa Minha, Minha Vida. É natural, cada um luta pelo seu espaço", disse o presidente da República.

 "Está mantido o mesmo percentual. Os empresários tiveram lá fora com a equipe econômica, que eu convidei para vir ao palácio [do Planalto], e saíram satisfeitos. E vai ser mantido o programa do FGTS", acrescentou Bolsonaro.

 

Vazamento

 

Mais cedo nesta sexta, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, disse que a informação sobre a liberação de saques vazou antes de o governo ter concluído os estudos sobre o tema. Onyx garantiu, no entanto, que a medida provisória liberando os saques será assinada na próxima quarta-feira (24).

O ministro também afirmou que o governo garantiu que recursos para financiamento da casa própria e para o programa Minha Casa, Minha Vida, que usam verba do FGTS, serão mantidos.

Ele afirmou que isso foi assegurado nesta quinta-feira ao presidente da Câmara Brasileira da Indústria de Construção (Cbic), José Carlos Martins.

Um dos convidados para a cerimônia que marcou nesta quinta os 200 dias do governo Bolsonaro, o presidente da Cbic afirmou a jornalistas, ao final da solenidade, que o governo garantiu ao setor da construção civil que a liberação de recursos do FGTS não impactaria o volume total de recursos repassados para financiar moradias populares.

"O tempo todo nos foi garantido que não teria impacto em cima do bolo que fica. Que criaria mecanismos mais justos para pessoas, mas que não impactaria em diminuição do volume total", declarou José Carlos Martins.

O representante dos empresários da construção civil ressaltou que o orçamento do conselho curador mostra que o FGTS está "zero a zero naquilo que ele precisa ter em caixa" para o ano de 2021.

"Qualquer coisa que sacar além do orçamento, tem de rever tudo. Neste ano, estamos com 5% em valores nominais menores do que o ano passado. Quando você põe mais 4% de inflação, está quase 10% em valor real [abaixo do ano anterior] no mercado que está puxando o mercado da construção civil, do crédito imobiliário. Minha Casa, Minha vida é responsável por dois terços do mercado hoje", complementou o presidente da Cbic.

 

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