Cuiabá, 23 de Maio de 2019

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Quarta-feira, 15 de Maio de 2019, 09h:40

ABUSOS SEXUAIS

Dioceses dos EUA anunciam "programa de indenização" para vítimas de abusos

Vítimas não vão precisar de advogado. Processo será gratuito e ocorrerá "amigavelmente".

Por France Presse

(Foto: Vatican Media/Handout via Reuters)

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Em imagem de arquivo, Papa Francisco recebe, no Vaticano, líderes da Igreja Católica nos EUA: cardeal Daniel DiNardo, arcebispo de Galveston-Houston, José Horacio Gómez, arcebispo de Los Angeles, cardeal Sean Patrick O'Malley, arcebispo de Boston, e monsenhor Brian Bransfield, secretário-geral Conferência Episcopal dos Estados Unido.

 

Seis dioceses na Califórnia, incluindo a de Los Angeles, anunciaram nesta terça-feira (14) a criação de um "programa de indenização" destinado a vítimas de abusos sexuais por parte de membros do clero.

"Esta nova iniciativa tem como objetivo dar apoio pastoral e financeiro a qualquer pessoa que tenha sido abusada sexualmente por um sacerdote diocesano quando era menor de idade", declarou o arcebispo de Los Angeles, José Gómez, segundo a France Presse.

O processo será gratuito e ocorrerá "amigavelmente", respeitando a privacidade das vítimas. As vítimas não vão precisar de um advogado.

Além de Los Angeles, aderiram à iniciativa as dioceses de Orange, San Bernardino, San Diego, Fresno e Sacramento.

José Gómez declarou que sua diocese está dando ajuda e apoio às vítimas há muitos anos e "seguiremos fazendo isto". "Mas entendemos que algumas vítimas estão relutantes em procurar a Igreja em busca de ajuda. Nossa esperança com este novo programa é dar a estas pessoas a oportunidade de buscar reparação e cura através de um programa independente", afirmou.

O programa será administrado por dois mediadores que já cuidam de iniciativas similares em outros locais dos Estados Unidos, como Nova York ou Pensilvânia, declarou o arcebispo de Los Angeles.

Responsáveis do clero na Califórnia disseram que o fundo estará disponível a todas as vítimas de abusos cometidos por padres, sejam imigrantes que residem ilegalmente nos Estados Unidos ou vítimas que já tiveram seus casos prescritos na justiça.

No total, as seis dioceses envolvidas na iniciativa representam cerca de 10 milhões de católicos na Califórnia, onde vivem muitos fiéis de origem latino-americana.

 

Denúncia obrigatória

 

Na semana passada, o Papa Francisco divulgou um decreto em que torna obrigatório padres e religiosos denunciarem suspeitas de casos de abusos sexuais às autoridades eclesiásticas. A carta também estabelece diretrizes de como as dioceses devem lidar com as suspeitas de abuso. No entanto, não consta uma orientação para que os casos sejam reportados às autoridades civis.

Iniciativas acontecem em um momento em que a igreja é alvo de diversas denúncias de crimes sexuais nos Estados Unidos e em outros países. A instituição, que tem 1,3 bilhão de seguidores em todo o mundo, atravessa uma crise de confiança devido a revelações de agressões sexuais praticadas por padres, especialmente contra menores, encobertas durante décadas.


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