Cuiabá, 08 de Agosto de 2020

VARIEDADES
Domingo, 02 de Agosto de 2020, 14h:35

EX-REPÓRTER DO GUGU

Para vencer a síndrome do pânico, apresentadora se inova como artista plástica

Com Assessoria
Única News

(Foto: Reprodução)

Para mudar é preciso ter coragem e tomar as rédeas da própria vida, enfrentar os medos de peito aberto e lutar por aquilo que nos faz feliz. Foi exatamente o que fez uma das mais amadas e talentosas apresentadoras de Mato Grosso, a ex-repórter do apresentador Gugu Liberato, Michelle Diehl.

Ela conseguiu contornar o diagnóstico de bipolaridade e se superar por meio dos pinceis, das cores e dos gatos.

O que era para ser apenas um tratamento terapêutico tornou-se uma paixão, rendeu frutos e hoje as obras de arte são apreciadas e já estão na casa de muitos cuiabanos, que enxergaram nas telas o sentimento passado por Michelle.

Michelle explica que quando se tem um problema emocional, como bipolaridade, depressão e síndrome do pânico, você não tem a cura, apenas o tratamento. Por isso, é importante ficar atento aos gatilhos da doença para evitar as crises.

“Não é porque você tem um problema que não pode enfrentá-lo. Sempre me questionei muito sobre tudo na vida. Foi assim que cheguei a algum lugar, pois, é só perguntando que achamos as repostas. A busca incessante de me conhecer, entender e me respeitar possibilitou saber exatamente quando o ‘bicho vai pegar’, o ‘salto’ vai apertar. Um dos sinais é a falta de sono, a irritabilidade, tudo isso vai se somando”, afirma.

E, claro, durante a pandemia – momento em que todos precisaram buscar o isolamento social de forma brusca como medida de proteção – quem sofre com esses transtornos ficam ainda mais vulneráveis. Foi nesse momento que Michelle Diehl adotou o pincel e as tintas como seus melhores aliados.

“Quando veio a pandemia, fiquei muito maluca. Ficava 6 horas sem tirar máscara, sem ir ao banheiro, sem comer. Emagreci 15 quilos nessa quarentena. Comecei a perceber que não estava legal e falei com o meu psiquiatra Alaor Santos, que cuida da minha saúde emocional há 8 anos. Ele me ajudou a sair dos problemas de forma carinhosa com real entendimento. Ele achou melhor me afastar do trabalho de apresentadora na TV Cidade Verde”, explica.

“Durante a quarentena, minha filha sempre pintava quadros com tinta guache. Em um belo dia, vendo o Instagram de uma menina chamada Flávia Costa, da Web Flávia, percebi que ela passava a madrugada pintando. Um dia estava muito nervosa, pensei: Vou pintar, e comecei”.
Nos primeiros riscos, a apresentadora incutiu em pintar gatos e começou a desenvolver técnicas.

“O apoio dos amigos foi muito importante. Uns falando que estava bom, me dava força para continuar, outros falando que estava péssimo, me forçava a melhorar, ao contrário do que poderiam esperar, não me importei com as falas negativas, pois, para mim era terapêutico e superação. Hoje, essas pessoas falam: Que lindo o que você faz”, revela.

Ela conta que no início das pinturas ficava muito ansiosa para terminar obras de qualquer forma, devido aos transtornos emocionais.
“Queria acabar de qualquer jeito. Hoje não, tenho mais paciência. Ou seja, tudo que aconteceu, tenho certeza, foi planejado por Deus. Porque quando comecei apenas pincel, tinta guache, um lápis e uma tela pequena, hoje tenho uma pinacoteca, uma obra assinada por mim”, lembra.

“Teve um dia que minhas telas estavam acabando e faltavam uns dias para receber outras e aí pensei: ‘Meu Deus! O que vou fazer? Vou ficar sem tela. Quando tive e uma idea de fazer bolinhas para aproveitar melhor a tela e a pintura durar mais tempo. Isso virou o charme da minha arte e marca registrada”, continuou Michelle aos risos.

O curioso é que a jornalista desenha apenas gatos. Ela afirma que o animalzinho é equilibrado, afetuoso, de extrema sabedoria e dificilmente se estressa com algo, somente quando é realmente necessário.

“Quando se estressa é porque precisa se defender, mas mostra equilíbrio porque ele só estressa na necessidade”, argumenta.

Passagem pelo programa do Gugu

Há 8 anos Michelle Diehl teve a oportunidade de se tornar uma estrela e ser reconhecida nacionalmente pelo seu trabalho ao ser convidada a fazer parte da equipe do apresentador Gugu Liberato (falecido em novembro do ano passado).

O que era para ser um caminho de sucesso se tornou um pesadelo provocado por seus transtornos emocionais e o alcoolismo.

“Deixei de ser repórter do Gugu porque cometi muitos erros. Tive um problema muito sério com a bebida. Sou alcoólatra passiva a há 8 anos. Com a bebida ficava descontrolada, era uma pessoa difícil de lidar. Perdi viagens, cheguei atrasada em compromissos de trabalho, perdi a entrega de uma casa, entre outros maus episódios causados pelo vício. Com isso, a depressão acumulou e acabei sendo demitida”, revela.

Transtornada, Michele teve uma crise de manias, “quando você fica extremamente acelerada e começa a viajar na ‘maionese’. Tinha mania de perseguição; já sai perambulando pelas ruas de São Paulo perdida em minhas próprias emoções, quando à época meu companheiro me levou ao psiquiatra e depois de duas consultas ele (o médico) virou para mim e disse que eu era bipolar, estava tendo uma crise de mania acumulada com síndrome do pânico. Dali para frente foi uma peregrinação. Já tinha tido outras crises, mas nunca o diagnóstico de bipolaridade, que é o antigo maníaco depressivo”.

“O psiquiatra me disse que a cabeça não é um osso quebrado que você faz um raio-x e vê onde está a fissura. ‘A melhor analogia que eu posso fazer, do que está acontecendo com você é que você tirou todas as gavetas, jogou tudo no chão e vai demorar 2 anos para você se restabelecer’, disse o médico. Foi de fato assim”.

Foi nesse momento que a jornalista voltou para Cuiabá, onde afirma que conseguiu reestruturar a vida, sair do fundo do poço e colocar ‘as gavetas’ de volta no lugar.

Depois da luta Michelle se casou, com Igor Taques, com quem tem uma filha de 3 anos, voltou para TV e hoje se reinventou como artista plástica por meio da pintura em traços que transmitem quem foi, quem é, e principalmente, em quem vai escolher ser no caminho longo que tem a seguir.


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