Cuiabá, 18 de Julho de 2024

ARTIGOS/UNICANEWS Sexta-feira, 19 de Julho de 2019, 11:35 - A | A

19 de Julho de 2019, 11h:35 - A | A

ARTIGOS/UNICANEWS / JOÃO ELOY

Carlini & Caniato lança autobiografia do 'doutor do rasqueado'

João Eloy
Escritor



Adaptado do prefácio de Alfredo da Mota Menezes, Doutor em História.  

Você pensa que conhece o João Eloy. Pode conhecer um João Eloy, mas os outros talvez não. E tem outros, é um ser humano multifacetado. Só lendo sua biografia para entender por onde andou o doutor do rasqueado da Chapada dos Guimarães.

De família humilde, pais de ascendência afro brasileira, numa cidade pequena do interior de Mato Grosso. Tudo para se acomodar e plantar raízes eternas no lugar, principalmente depois do assassinato do seu pai. Alguma coisa mexia com ele. Não parou ali.

Foi para o internato do Colégio Salesiano em Cuiabá, com dificuldades para pagar os estudos. Foi para Ribeirão Preto, depois Rio de Janeiro, atravessou a ponte e vai se formar em Medicina em Niterói na Universidade Federal Fluminense. Encontra ali sua futura esposa e parceira, Nadia.

Naquela época, alguém formado em Medicina, com muito menos médicos em Mato Grosso que agora, poderia fazer como quase todos fizeram: ser apenas médico. Ganhar dinheiro e prestígio. Outra vez aquele bicho estranho o chamava para outros lugares e vivências.

Já se nota isso nas poesias que escreve ao longo da vida. Se alguém quiser ler somente suas poesias, distribuídas nas páginas do livro, já daria para entender quem é o autor que ora apresento. Cada momento, seja de alegria, tristeza, nostalgia, saudades ou amor que vem ou vai, está ali nas poesias. Todos temos momentos diferentes na vida, mas quase ninguém coloca esse cotidiano no papel. Outros, com outros apetrechos intelectuais, assim fazem e aparece uma história pessoal contada desse modo também.

Lembro-me do Silva Freire no Bar Internacional lendo e interpretando suas poesias para os mais jovens em que mostrava cada momento de sua vida. E, dizia, que ficaria muito mais marcado pelo que escrevia do que como advogado. Talvez possa ser dito também que o João Eloy ficará mais lembrado pela música e como cantor do que pela Medicina.

Pequeno caso ilustra isso. Quando ele levou sua biografia em minha casa, quem o recebeu foi Luderlina que trabalha lá. Ela imediatamente o conheceu e depois me deu uma aula sobre ele, não por causa da Medicina, mas pelas músicas que canta. Talvez o que vai ficar no imaginário popular será isso, como no caso da poesia do Freire.

Outro aspecto a destacar neste livro são os muitos detalhes lembrados pelo autor sobre tantos momentos passados e vividos. Também a sinceridade ao esmiuçar as andanças externas e a inquietude interna. Não podia ser diferente. Se esconder algo, se escamoteia passagens vividas, lá na frente, de forma autorizada ou não, outros iriam escarafunchar sua vida e encontrar assuntos não mostrados ou revelados. 

Tem boa memória, lembra de fatos distantes que parecem pequenos, mas que o marcam pela vida inteira. Cenas da infância na Chapada, internato, Ribeirão Preto, o amigo Múcio Albernaz, músicas nacionais e internacionais de cada momento, garotas, regime militar, servir o Exército, namoros e escapadas. Até as comidas e lembranças de como estava o tempo naquele especifico dia. Conta também que apanhava do pai. E que aquilo foi bom, que o corrigiu, que o fez estudar mais. Só tem elogios a essa mão que afagava e dava também alguns cascudos. Tanto que foi vendo o pai no violão que o tal bicho começou a comichão nele.

Formado vai exercer a profissão em Chapada. Fundou uma Clínica e uma farmácia. Escreveu um livro sobre a história do município. Foi candidato a prefeito, perdeu e sua esposa diz que foi muito bom. Querendo dizer que a política de Chapada como era (ou como é) poderia tê-lo engolido e não se caminharia por onde hoje está. Foi professor na Faculdade de Medicina da UFMT, inclusive saindo do estado para fazer mestrado em sua especialidade. Andou até pintando quadros com cenas da vida cotidiana. Fez rádio e também televisão.

A cidade de Chapada andava modorrenta à noite e o João cria um bar, Patucha, para músicas e danças. Olha o tal do bicho comichão outra vez. Não é normal um médico numa cidade pequena, em que pode virar herói de muitas facetas, abrir um bar com banda de música.

Mas, daqui a pouco, como já estava escrito não sei onde, ele põe em prática as frases que, aliás, constam no próprio livro de que “dê no que der”, “seja o que Deus quiser” ou “antes arte do que tarde” e se lançou de corpo e alma na música.

Percebe-se a queda para esse lado por uma descrição contada por ele no livro. Um dia em que se apresentava num determinado lugar, no intervalo enquanto fumava um cigarro, viu uma garotinha querendo falar com ele. Foi ao seu encontro e ela mostrou uma quantidade enorme de palavras carinhosas escritas, não ao doutor, mas ao cantor de músicas populares e regionais. Na descrição que ele faz desse fato se percebe que ali estava o que fora plantado lá atrás. Desde talvez o violão tocado pelo pai.

Leia o livro João Eloy Por Inteiro e faça uma viagem pelo mundo vivido pelo chapadense, devoto de São Benedito.  

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