Cuiabá, 25 de Julho de 2024

BRASIL Quinta-feira, 16 de Novembro de 2023, 12:30 - A | A

16 de Novembro de 2023, 12h:30 - A | A

BRASIL / DISCRIMINAÇÃO

Brasileiros que retornaram de Gaza sofrem ameaças e xenofobia no Brasil

UOL



Depois de fugir de bombas, da falta de alimentos, da morte e do medo, os brasileiros que conseguiram sair da Faixa de Gaza agora são ameaçados no Brasil. Um deles é Hasan Rabee e sua família, que optaram nesta semana por fazer um pedido oficial de proteção ao estado brasileiro.

"Saímos da guerra para nos sentir seguros em nosso país, e agora aqui não conseguimos ter segurança, xenofobia, ameaças", disse Hasan Rabee, um dos 32 moradores de Gaza que chegaram ao Brasil nesta semana. "Da violência física da guerra para outras violências", lamentou.

Ao UOL, antes de sair do Oriente Médio, Hasan havia dito que só tinha um plano ao sair de Gaza, que era trazer a família ao Brasil.

Rabee ficou conhecido por seus vídeos que descreveram o cotidiano das famílias brasileiras em Gaza. Mas deixou para trás três pessoas que, agora, espera poder socorrer.

Nas redes sociais, Hasan vem sendo alvo de ameaças, além de campanhas de ódio e difamação. O UOL teve acesso a algumas dessas mensagens, revelando os ataques.

A operação de pedido de proteção está sendo realizada por Talitha Camargo da Fonseca, mestre em ciências, tecnologia e sociedade e especialista em direito público, que atua na promoção e proteção de direitos humanos.

O sistema de proteção existente no Brasil para este caso é o Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, Comunicadores e Ambientalistas (PPDDH), vinculado ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.

"O PPDDH tem por objetivo oferecer proteção às defensoras e aos defensores de direitos humanos, comunicadoras e comunicadores e ambientalistas que estejam em situação de risco, vulnerabilidade ou sofrendo ameaças em decorrência de sua atuação em defesa desses direitos", explica o programa.

Segundo Talitha, "como Hasan era um dos únicos com internet estável, ele acabou se tornando símbolo da divulgação da violência perpetrada em Gaza e é ativista por direitos humanos".

"Solicitei para Hasan e sua família amparo psicológico pelo programa pró-vítima. Pois não podemos receber pessoas de uma guerra sem oferecer oferta adequada de proteção e reconstituição de identidade depois de tudo que assistiram", disse Talitha.

O governo afirmou ao UOL que estava ciente dos ataques sofridos por Hasan. A reportagem ainda aguarda um posicionamento oficial, tanto do Itamaraty como do Ministério dos Direitos Humanos.

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