Cuiabá, 26 de Setembro de 2020

ECONOMIA
Quarta-feira, 10 de Junho de 2020, 08h:34

ECONOMIA

País tem deflação de 0,38% em maio, menor índice em 22 anos

Em abril, IPCA já tinha registrado deflação de 0,31%. Em 12 meses, alta acumulada é de 1,88%. Preço dos combustíveis caiu 4,56% em maio, mas alimentos seguiram em alta.

Por Darlan Alvarenga e Daniel Silveira
G1

Foto: Pedro Vitorino/Cedida

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, caiu 0,38% em maio, após já ter registrado recuo de 0,31% em abril, segundo divulgou nesta quarta-feira (10) o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

"É o segundo mês consecutivo de queda nos preços e o menor índice desde agosto de 1998, quando ficou em -0,51%", informou o IBGE.

No ano, o IPCA passou a acumular queda de 0,16%. Em 12 meses, acumula alta de 1,88%, a menor taxa desde janeiro de 1999 (1,65%), permanecendo bem abaixo do centro da meta do governo para 2020, que é de 4%.

 

Combustíveis puxam queda

 

Dos 9 grupos de produtos e serviços pesquisados, 5 tiveram deflação em maio. O maior impacto negativo do índice veio do grupo Transportes (-1,9%), puxado principalmente pela queda no preço dos combustíveis (-4,56%).

“A gasolina é o principal subitem em termos de peso dentro do IPCA e, caindo 4,35%, acabou puxando o resultado dos transportes para baixo, assim como as passagens aéreas, que tiveram uma queda de 27,14% e foram a segunda maior contribuição negativa no IPCA de maio”, afirmou o gerente da pesquisa, Pedro Kislanov.

Outros destaques de queda em maio foram nos preços dos grupos Vestuário (0,58%) e Habitação (0,25%).

Do lado das altas, o maior crescimento no índice do mês veio do grupo Artigos de residência (0,58%), puxado pela alta dos artigos de TV, som e informática (4,57%).

 

Alimentos seguem em alta

 

O grupo Alimentação e bebidas (0,24%) voltou a registrar alta, mas desacelerou em relação a abril, quando cresceu 1,79%. A cebola (30,08%), a batata-inglesa (16,39%) e o feijão carioca (8,66%) ficaram mais caros. Já as carnes subiram 0,05%, após quatro meses consecutivos de queda.

Por outro lado, os preços de alguns itens como cenoura (-14,95%) e as frutas (-2,1%), que haviam subido em abril, recuaram em maio. Com isso, contribuíram para que a alimentação no domicílio passasse de 2,24% para 0,33%. A alimentação fora do domicílio também desacelerou para 0,04%, ante 0,76% em abril.

 

Todas as 16 áreas pesquisadas tiveram deflação em maio

 

As 16 áreas pesquisadas pelo IBGE tiveram deflação em maio. No mês anterior, 14 das 16 tinham registrado deflação. A última vez que todas as regiões do país registraram queda de preços foi em junho de 2017, quando o indicador nacional ficou em -0,23%.

O menor índice em maio ficou com a região metropolitana de Belo Horizonte (-0,60%), seguido por Campo Grande (-0,57%). Em São Paulo e no Rio de Janeiro, houve deflação de -0,28%.

 

 

Perspectivas e meta de inflação

 

A meta central do governo para a inflação em 2020 é de 4%, e o intervalo de tolerância varia de 2,5% a 5,5%. Para alcançá-la, o Banco Central eleva ou corta a taxa básica de juros da economia (Selic), que foi reduzida nesta semana para 3% – nova mínima histórica.

A expectativa de inflação do mercado para este ano segue bem abaixo do piso da meta. Os analistas das instituições financeiras reduziram a projeção de inflação para 1,53% em 2020, conforme a última pesquisa Focus do Banco Central. Foi a 13ª redução seguida do indicador em meio à pandemia do novo coronavírus, que tem derrubado a economia brasileira e mundial, e colocado o mundo no caminho de uma recessão.

O mercado segue prevendo corte na taxa básica de juros da economia brasileira neste ano, com a Selic chegando a 2,25% ao ano.

Já para o PIB (Produto Interno Bruto) de 2020, o mercado passou a projetar retração de 6,48%. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), por sua vez, estimou nesta quarta uma contração de pelo menos 7,4% para o PIB do Brasil neste ano, podendo chegar a um tombo de 9,1% em caso de segunda onda da pandemia e necessidade de regresso aos confinamentos.


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