Cuiabá, 17 de Junho de 2024

JUDICIÁRIO Quinta-feira, 24 de Fevereiro de 2022, 21:37 - A | A

24 de Fevereiro de 2022, 21h:37 - A | A

JUDICIÁRIO / NEGOU AVAL

Ana Cláudia Flor confessa crime em depoimento confuso no 3º dia de oitivas

Mayara Campos
Única News



Ana Cláudia Flor, admitiu que mandou matar o marido, o empresário Toni Flor, durante a audiência de instrução nesta quinta-feira (24). Ela relatou que era vítima de violência doméstica, e durante um episódio de agressão, onde o marido havia ameaçado ela e a filha mais velha, resolveu encomendar o crime. 

“Me casei quando tinha 18 anos. Desde o começo ele sempre foi muito ciumento, mas no começo eu gostava, me sentia muito amada. Tinha terminado um relacionamento, um breve relacionamento com um locutor, quando conheci Toni, tinha acabado de terminar. O ex me ligou e o Toni desde aí já demonstrou ciúme, não tinhamos nem tido relação sexual. Eles trocaram tiros na época, em 2005”, contou Ana Cláudia no início do depoimento.   

“Ele já agrediu fisicamente, era sempre por ciúmes, inúmeras vezes. Eu registrei três ocorrências, agressões de bater mesmo. Todas as vezes que eu não queria mais, ele me ameaçava de morte. Mas ele nunca bateu nas filhas, sempre falava alto. Foi um bom pai. Mas as crianças presenciavam as agressões. Já larguei duas vezes, cheguei a me mudar, mas ele ficava insistindo. Sempre quis me separar, nunca partiu do Toni”, complementou.

A ré afirmou que procurou os executores do crime, logo após uma briga durante a pandemia do novo coronavírus, em 2020, cerca de 40 dias antes da morte de Toni. Ela contou que no episódio, ele a agrediu, pegando uma faca e a ameaçando de morte, junto com a filha que a tentou proteger. 

Mas, ela diz ainda que depois que os “ânimos acalmaram”, não entrou mais em contato com os assassinos. No dia da briga, ela pediu para ficar na casa da amiga, Ediane Aparecida da Cruz Silva, e após contar sobre a discussão, a mulher teria dito que poderia ajudar, apontando alguém para matar Toni. 

“Eu mostrei pra ela, e ela disse, acho que eu posso resolver isso pra você, tem um pessoa que faz. Eu achei ate que era pra dar uma surra, achei que era coisa de facção criminosa, que não aceitam bater em mulher”, disse Ana Cláudia. 

"Fiquei na casa da Ediane com minhas filhas. Depois me ligou o rapaz que não se identificou, e disse  a senhora que é da situação? Quero fazer umas perguntas pra senhora, mas porque a senhora quer fazer isso”, conta.

“Eu disse, porque eu acho que eu vou morrer, ele vai me matar, e ele pode me matar e matar minhas filhas. Ele perguntou, a senhora tem certeza? Eu disse que não. Ele disse não é amante não? Não tem dinheiro na parada né? Senão ai é sujeira, a gente não aceita homem bater em mulher, se for outra coisa não dá”, relata a ré, afirmando não conhecer a identidade do executor.

Conforme Ana Claudia, a conversa não progrediu depois da ligação, e ela diz não ter passado nenhum detalhe sobre a rotina de Toni Flor. A ré ressaltou ainda que não deu o aval para a morte, explicando ainda suas ações após o assassinato, onde pedia por investigação e justiça.  

“A situação dele ir pra academia, eu não dei dia, não dei localização, não dei hora. Eu voltei pra minha casa seguindo minha vida normal, esqueci da burrada que eu tinha falado. Segunda-feira ele estava em casa e não ia ter treino. O professor ligou e falou ‘tem aula aqui com o pessoal de manha’. E ele foi, eu não sabia que ele ia. Eles estavam olhando Toni por conta deles, não por minha causa”, afirma.

Após uma carreata organizada por Ana, cobrando medidas contra a morte, o assassino teria ligado, cobrando os R$ 60 mil. Foi quando Ana Claudia percebeu que Toni Flor havia sido assassinado pelo homem que a contatou dias antes. Antes, ela afirma que achava se tratar do caso do policial confundido com o marido.

No entanto, o depoimento da ré ficou confuso e cheio de contradições, que foram indagadas pelo juiz, Flávio Miraglia Fernandes, da 12ª Vara Criminal de Cuiabá. 

“Olha, seria inédito ver uma meia confissão em tantos anos na vara criminal […] Ou você mandou matar, ou não mandou […] Você não disse que não viu nome e nem foto dos executores, não passou nada? Então como eles foram lá e mataram seu marido?”, indagou o juiz Flávio Fernandes. 

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