Cuiabá, 17 de Junho de 2024

JUDICIÁRIO Quarta-feira, 24 de Abril de 2024, 12:05 - A | A

24 de Abril de 2024, 12h:05 - A | A

JUDICIÁRIO / DEU EM "O GLOBO"

Hacker teria sido direcionado por Zambelli para falsificar alvará de soltura a "Sandro Louco", líder do CV em MT

Segundo a PGR, Walter Delgatti teria invadido sistemas do CNJ para inserir alvará de soltura falso a Sandro da Silva Rabelo, o “Sandro Louco”.

Ari Miranda*
Única News



Denúncia apresentada pela Procuradoria Geral da República (PGR) apresentada ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira (24), contra a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) e o hacker Walter Delgatti Neto, mostra que a invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), pela qual os dois foram indiciados, pode ter levado à expedição de um habeas corpus falso ao criminoso Sandro da Silva Rabelo, o “Sandro Louco”, um dos líderes da facção criminosa Comando Vermelho em Mato Grosso.

O detalhe da investigação foi revelado pelos jornalistas João Paulo Saconi e Naira Trindade, em reportagem veiculada pelo portal O Globo, na manhã desta quarta-feira.

Segundo a publicação, o episódio relatado pela PGR ao ministro Alexandre de Moraes foi feito com base em dados obtidos pela Polícia Federal no dia 5 de janeiro do ano passado.

Na ocasião, Delgatti teria infiltrado no Banco Nacional de Mandados de Prisão (BNMP), mantido pelo CNJ, onde teria inserido um alvará de soltura para o criminoso mato-grossense. O documento falsificado teria sido supostamente deferido pelo juiz Leonardo de Campos Costa e Silva Pitaluga, da 2ª Vara Criminal de Cuiabá. Contudo, a descoberta sobre a falsificação ocorreu cinco dias depois, em 10 de janeiro.

Conforme a denúncia, apresentada pelo procurador geral da República, Paulo Gonet, a partir dos dados obtidos nas investigações, acredita-se que Zambelli teria agido junto com Delgatti direcionando a invasão, na tentativa de gerar descrédito ao Judiciário Brasileiro.

Além disso, segundo a PGR, qualquer usuário do Banco de Dados poderia acessar o conteúdo no “modo público” da plataforma. Assim, a denúncia cita que, caso o alvará falsificado fosse cumprido, “poderia ter alcançado o efeito da soltura de sentenciado a duas centenas de anos de reclusão”.

De acordo com a reportagem, além do alvará de soltura falsififcado para "Sandro Louco", Delgatti teria publicado nos sistemas do CNJ pelo menos outras três ordens judiciais no Distrito Federal e cinco no Rio Grande do Sul, além da expedição de um mandado de prisão falso contra o próprio ministro Alexandre de Moraes.

Diante dessa falsificação, entre outras cometidas por Delgatti no sistema, a PGR pede a condenação do hacker e a deputada federal pelos crimes de invasão a dispositivo informático e falsidade ideológica.

O CRIMINOSO

Considerado um dos fundadoeres do Comando Vermelho no estado, Sandro Rabelo, o "Sandro Louco", coleciona uma série de coondenações que ultrapassam os 200 anos, pelos crimes de falsificação, roubo, homicídio, latrocínio, sequestro, cárcere privado e posse ou porte ilegal de arma de fogo.

O detento foi capturado pela primeira vez em 2000, após assalto a uma agência bancária na cidade de Várzea Grande, porém conseguiu fugir no mesmo ano.

Em um período de 4 anos, Sandro Louco protagonizou várias fugas da prisão. Em uma delas, acabou fugindo pela porta da frente da cadeia e, de quebra, levando consigo as armas dos policiais que faziam a guarda do local.

Sua última prisão ocorreu no ano de 2005, no Estado de São Paulo, onde chegou a ficar preso cerca de 6 meses. Assim que voltou para Mato Grosso, liderou uma rebelião no presídio, em Água Boa (a 730 km ao leste da Capital), onde matou um dos detentos.

Após uma série de transferências para presídios federais, em 2016, o detento retornou para Mato Grosso e desde então cumpre pena na Penitenciária Central do Estado (PCE), onde passou 13 meses preso no Raio 8, área de isolamento da unidade prisional, de onde saiu nesta terça-feira (23), após decisão da Justiça, retornando para a ala comum da PCE.

*Com informações de O GLOBO

 

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