Cuiabá, 06 de Março de 2021

POLÍCIA
Quarta-feira, 20 de Janeiro de 2021, 19h:39

"MARTÍRIO DE SOFRIMENTO"

Mãe de Isabele desabafa: ‘Jamais teremos Bele de volta para amá-la e vê-la crescer’

Euziany Teodoro
Única News

Arquivo pessoal

Publicação autorizada por Patrícia Ramos

Patrícia Ramos, mãe da adolescente Isabele Ramos, 14 anos, morta com um tiro no rosto em julho do ano passado pela “melhor amiga”, a menor B.O.C., 15 anos, desabafou por meio de uma nota que enviou à imprensa nesta quarta-feira (20), um dia após a atiradora ser internada em centro socioeducativo, por ordem da Justiça.

Patrícia, que vive dia após dia com a dor da perda da filha, ancorando sua vida e de seu outro filho, de 12 anos, “em um martírio de sofrimento e de muito pranto”, segundo suas próprias palavras, desabafou.

“A justiça foi assertiva e descreveu perfeitamente o enredo baseado em perícias técnicas e listou de forma clara e objetiva a conduta criminosa, fria, hostil e desumana, da menor que assassinou a minha filha cruelmente, não se deixando levar pela farsa que desde o primeiro momento a família da menor infratora insistiu em montar para encobrir a crueldade do assassinato da minha filha”, escreveu, parafraseando as palavras da juíza Cristiane Padim, da 2ª Vara da Infância e Juventude.

Patrícia criticou a atuação do pai de B.O.C., o empresário Marcelo Cestari, que responde por quatro crimes correspondentes à morta da menina. Segundo ela, ele sempre tentou esconder a verdade e se passar por “vítima”. “Talvez ontem, ele deve ter olhado para a cama vazia da filha e sentido a falta dela”, desabafou.

“Quero registrar e lembrar a todos que foi a minha filha a VÍTIMA, em especial para o pai da assassina, que tem insistentemente tentando fazer acreditar que eles são os inocentes, perseguidos e “ameaçados”. Talvez ontem, ele deve ter olhado para a cama vazia da filha e sentido a falta dela, MAS, vai ao final poder conviver com ela novamente, EU NÃO! MEU FILHO NÃO! A MINHA FAMÍLIA NÃO! Jamais poderemos ter a Bele de volta para podermos amá-la e vê-la crescer! Nosso luto e luta serão eternos!”

Ela também lembra todo o histórico da família, assim como do namorado de B.O.C., o menor G.C.C., 16 anos, com armas e a prática de tiro ao alvo. Para ela, B. não apertou o gatilho sozinha. Pelo contrário, todos são responsáveis.

Veja a íntegra da nota

Ao tomar conhecimento da sentença ontem, deixei escapar um suspiro dolorido que estava me angustiando e ancorando minha vida e do meu filho em um martírio de sofrimento e de muito pranto.

A justiça foi assertiva e descreveu perfeitamente o enredo baseado em perícias técnicas e listou de forma clara e objetiva a conduta criminosa, fria, hostil e desumana, da menor que assassinou a minha filha cruelmente, não se deixando levar pela farsa que desde o primeiro momento a família da menor infratora insistiu em montar para encobrir a crueldade do assassinato da minha filha.

Quero registrar e lembrar a todos que foi a minha filha a VÍTIMA, em especial para o pai da assassina, que tem insistentemente tentando fazer acreditar que eles são os inocentes, perseguidos e “ameaçados”. Talvez ontem, ele deve ter olhado para a cama vazia da filha e sentido a falta dela, MAS, vai ao final poder conviver com ela novamente, EU NÃO! MEU FILHO NÃO! A MINHA FAMÍLIA NÃO! Jamais poderemos ter a Bele de volta para podermos amá-la e vê-la crescer! Nosso luto e luta serão eternos!

Mas, sei que a assassina não apertou o gatilho da arma que ceifou a vida da Bele sozinha, esse crime começou bem antes quando a arma rodou pela cidade, nas mãos de outro menor, que como visto nas mídias sociais costumava sair armado, pasmem, esse menor levava a arma para a escola, na mochila junto com biscoitos!! Então não foi só uma ocasião como alegaram sendo um descuido, era uma conduta corriqueira, contumaz, sair de casa pela cidade, na escola, supermercados e outros lugares com a arma na mochila e posar de xerife nas fotos.

E quando este menor chegou na casa da família da assassina naquele dia fatídico, as armas que ele trazia foram exibidas e passadas de mãos em mãos, com a permissão e participação irresponsável dos Pais da assassina, mesmo sabendo da presença de outros adolescentes que não eram da família!

Lamento muito o fato de nossa sociedade estar convivendo com essa insanidade relapsa que coloca o poder de tirar vidas, com requinte cruel e covarde, nas mãos de menores, demonstrando como está errado o trato e a posse de armas no nosso país.

As cenas e imagens já publicadas mostram exatamente a veneração do culto às armas pelas famílias envolvidas nesse crime, penso que essa tragédia anunciada poderia ter ocorrido com qualquer dos jovens frequentadores da casa dessas famílias, mas, espero e tenho esperança que possamos todos como sociedade enfrentar esta lei que permite adolescentes que não podem ser responsabilizados por seus atos, a frequentarem escolas de tiros e manusearem armas letais!

Patrícia Helen Guimarães Ramos


Comentários







Preencha o formulário e seja o primeiro a comentar esta notícia

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site. Clique aqui para denunciar um comentário.


MATÉRIA(S) RELACIONADA(S)




VÍDEO PUBLICIDADE