Cuiabá, 01 de Março de 2021

POLÍCIA
Terça-feira, 19 de Janeiro de 2021, 19h:03

MORTE NO ALPHAVILLE

"Traz alívio, mas sem alegria", diz família de Isabele sobre internação da atiradora

Euziany Teodoro
Única News

O tio da adolescente Isabele Ramos, 14 anos, morta em 12 de julho de 2020 no condomínio Alphaville I, em Cuiabá, falou com o Única News em nome da família da jovem e disse que a decisão judicial que determinou a internação imediata da atiradora, B.O.C., de 15 anos, "traz alívio, mas sem alegria" à família.

Allan Araújo é quem está atendendo ao telefone da mãe de Isabele nesta terça-feira (19), tendo em vista que, com a decisão, Patrícia Ramos não se vê em condições de falar publicamente, devido às emoções que vieram à tona ao relembrar os detalhes do caso.

"A Patrícia disse que não tem porque se alegrar, pois não trouxe a vida da filha dela de volta, mas tira um peso dos ombros em sentir que pelo menos, dentro das limitações das leis que abordam o Estatuto do Adolescente, ela está sendo punida. Esse que é o sentimento: alívio, mas sem alegria", disse à reportagem.

A condenação

A juíza da 2ª Vara da Infância e Adolescência de Cuiabá, Cristiane Padim, determinou a internação imediata, em centro sócioeducativo, da adolescente B.O.C., de 15 anos, que atirou e matou Isabele Ramos, em Cuiabá, no dia 12 de julho de 2020. A decisão é da tarde desta terça-feira (19).

A determinação é que a adolescente seja internada imediatamente, sob a pena máxima de 3 anos, prevista para menores que cometem crimes graves. No caso dela, crime análogo a homicídio doloso, quando há intenção de matar.

A pena deve ser revista a cada 6 meses e a Delegacia do Adolescente já recebeu a ordem, que deve ser cumprida ainda hoje.

B.O.C. chegou a ser internada no Centro Socioeducativo Menina Moça, anexo ao Complexo Pomeri, em Cuiabá, em setembro do ano passado, quando a justiça atendeu a pedido do Ministério Público Estadual. No entanto, em menos de 24 horas, foi concedido habeas corpus à defesa e ela foi liberada.

O caso

Isabele foi morta na noite de 12 de julho, na casa da amiga B.O.C., hoje com 15 anos, com um tiro que transfixou sua cabeça, entrando pelo nariz e saindo na nuca. A menina tinha passado o dia todo na casa da família Cestari, com a amiga, os pais dela e seus irmãos e os namorados de duas delas. Isabele morreu por volta das 22h.

B. alegou tiro acidental. Disse que tinha ido atrás de Isabele em um banheiro, com um case contendo duas armas nas mãos. Esse case teria caído e, ao se levantar, perdeu o equilíbrio e atirou sem querer na amiga. No entanto, a Polícia Civil descartou essa versão e a menina vai responder por crime análogo à homicídio doloso – quando há intenção de matar.

Além do enquadramento de B.O.C. em crime análogo a homicídio doloso, também foram incriminados: os pais dela, Marcelo Cestari e Gaby Soares, por homicídio culposo, entrega de arma de fogo a menor de idade, fraude processual e corrupção de menores; o sogro dela, Glauco Correa da Costa, por omissão de cautela na guarda de arma de fogo; e o ex-namorado dela, o menor G.C.C., por ato infracional análogo ao porte ilegal de arma de fogo, porque transitou armado, sem autorização.


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