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VOLTA AO MUNDO Quarta-feira, 26 de Julho de 2017, 12:04 - A | A

26 de Julho de 2017, 12h:04 - A | A

VOLTA AO MUNDO / ANISTIA INTERNACIONAL

Arábia Saudita promove onda sangrenta de execuções

Da Redação



(Foto: Reprodução/Web)

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A Anistia Internacional exortou a Arábia Saudita a abandonar o que o grupo de direitos humanos chama de “onda de execuções sangrentas” perpetrada via decapitações. A Arábia Saudita tem uma das mais altas taxas de execuções do planeta.

 

Segundo a Anistia Internacional, o país já decapitou pelo menos 66 pessoas somente este ano. Nas últimas três semanas e meia, 26 pessoas foram executadas, o que dá uma média de mais de uma execução por dia. 

 

Ainda segundo o grupo, há informações de outros 14 homens condenados à decapitação que podem ser executados a qualquer momento. Eles foram condenados à morte em junho do ano passado, pelo Tribunal Criminal Especial do país, órgão com sede em Riad destinado a julgar crimes de terrorismo.

 

Segundo a Anistia Internacional, as sentenças se deram após um injusto julgamento em massa. Os homens são condenados por promover espionagem para o Irã. Entre outros crimes, eles são acusados de fabricar bombas, realizar roubos, participar de protestos contra o governo saudita e atirar em carros de forças de segurança.

 

Documentos do tribunal acessados pela Anistia Internacional mostram que os homens afirmam que foram torturados até que confessassem os crimes. Segundo o grupo de direitos humanos, trata-se de uma caça do governo saudita à opositores.

 

“Ao confirmar as sentenças, o governo da Arábia Saudita revela seu cruel compromisso em usar a pena de morte como arma para esmagar a dissidência e neutralizar opositores políticos. A assinatura do Rei Salman é, neste momento, tudo que há entre eles e a execução. Ele deve anular imediatamente as sentenças de morte que são resultado de julgamentos falsos que descaradamente ignoram as leis internacionais de processos justos de julgamento”, disse o grupo.

 

Um dos casos mais emblemáticos é o de Munir Adam, de 23 anos. O jovem, que não tem parte da visão e da audição, foi torturado por policiais até que perdesse completamente a audição em um dos ouvidos. A tortura se deu apesar de boletins médicos atestarem as condições de saúde de Adam. Os policiais seguiram com as sessões até que Adam se declarasse culpado.

 

Uma organização britânica de direitos humanos chamada Reprieve já coletou mais de 32 mil assinaturas que pedem à Arábia Saudita para cancelar as execuções, entre elas, a de Adam. O grupo exorta o presidente dos EUA, Donald Trump, que visitou a Arábia Saudita em maio, a intervir contra as sentenças.

 

“O caso de Munir é absolutamente chocante. A Casa Branca deveria estar estarrecida pelo fato de nossos aliados sauditas terem torturado um manifestante deficiente até que ele perdesse completamente a audição e depois condená-lo à morte com base em uma confissão forçada”, disse Maya Foa, diretora da Reprieve. Foa acusa Trump de “encorajar o reino saudita a continuar com a tortura e a execução de manifestantes”.

 

Os principais alvos do governo saudita são pessoas da minoria xiita. Há tempos, sauditas xiitas se queixam da marginalização e da discriminação que sofrem do governo do país, que tem maioria sunita. Eles pedem por reformas políticas e econômicas que revertam essa situação.

 

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