Cuiabá, 21 de Junho de 2024

BRASIL Segunda-feira, 25 de Dezembro de 2023, 14:07 - A | A

25 de Dezembro de 2023, 14h:07 - A | A

BRASIL / FÉRIAS

Apesar de preço de passagem, brasileiro viaja mais e turismo prevê recorde

Terra



Reprodução/Internet

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O brasileiro está viajando mais, mesmo com as passagens aéreas com preços altos. Quem está com o orçamento mais apertado faz viagens mais curtas e próximas, mas não deixa de viajar. Quem tem mais dinheiro escolhe destinos nacionais em resorts ou viagens internacionais.

Faturamento do turismo

O turismo deve faturar R$ 155,87 bilhões na alta temporada. Esta é a maior movimentação financeira do setor desde 2012, quando a pesquisa da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo) começou a ser feita. O valor se refere aos meses de novembro de 2023 a fevereiro de 2024.

Melhora na economia e o aumento no número de passageiros são os responsáveis pelos dados positivos. Fabio Bentes, economista da CNC, afirma que existe uma demanda reprimida por viagens que vem da pandemia, já que o turismo foi um dos setores mais prejudicados, e que um cenário de economia mais estável favorece o crescimento do setor.

Passagens aéreas caras
O preço das passagens aéreas ainda é um desafio para o setor. De acordo com o IPCA, índice que mede a inflação oficial do país, o preço das passagens subiu 19,12% apenas em novembro. Já no acumulado em 12 meses, a alta foi de 36,45% nas passagens. Os consumidores têm buscado alternativas para viajar sem depender do avião, como o transporte particular ou ônibus.

"A alternativa às passagens é o transporte rodoviário, linha de ônibus, e transporte particular, que têm crescido. Isso tem suprido a dificuldade do consumidor de lidar com o preço alto da passagem aérea", disse Fábio Bentes, economista sênior da CNC.

O turismo sempre está presente na vida das pessoas fora de momentos de crise (como foi a pandemia). André Coelho, coordenador de projetos da FGV (Fundação Getulio Vargas), afirma que as famílias deixaram de gastar com turismo na pandemia, mas voltaram aos poucos a viajar.

Se a pessoa não tem um recurso muito maior, ela faz uma viagem curta, de final de semana. Se ela melhorou o recurso dela, a economia se estabiliza um pouco ou ela consegue um emprego melhor, faz uma viagem mais longa. O turismo sempre, de alguma forma, é parte da cesta de consumo das pessoas, afirmou"André Coelho, coordenador de projetos da FGV.

Segurança econômica também ajuda a fomentar o turismo no Brasil. "Quando você tem uma certa sensação de segurança econômica, de taxas, ainda que altas, mas estabilizadas, você começa a usar um pouco mais de crédito, fazer um parcelamento para fazer viagens. André Coelho

O turismo internacional está em um processo de retomada, mas ainda não conseguiu chegar aos níveis pré-pandemia. Coelho afirma que, além dos preços das passagens, o câmbio é um entrave para que as famílias fechem passeios para o exterior. O que tem acontecido é que famílias mais endinheiradas que querem fugir do câmbio optam por resorts em destinos nacionais.

O setor de turismo está com uma grande oferta de tipos de viagens para agradar a todos os bolsos e gostos. Leandro Reis, diretor de vendas da Agaxtur, afirma que há mais ofertas de voos, opções de cruzeiros e que os resorts estão passando por processos de expansão.

A oferta é grande em todos os segmentos e acho que com isso a procura no consumo no turismo está cada vez maior. É muita oferta, muitas promoções. Com as férias, vem uma demanda maior de destinos, o que acaba despertando o interesse de viajar.
Leandro Reis, diretor de vendas da Agaxtur

Reprodução

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Praia de Paúba, em São Sebastião, no litoral de SP.

Quem está viajando

Pessoas de todas as classes sociais estão viajando. O que muda é o perfil da viagem de cada um, de acordo com os especialistas. Quem está com o orçamento mais apertado opta por viagens mais curtas e próximas de onde mora, para não depender de avião. As famílias mais ricas viajam para resorts no Brasil ou para o exterior.

O turismo interno foi beneficiado pela queda nos preços dos combustíveis. Bentes afirma que os preços da gasolina e etanol foram uma barreira às viagens há alguns meses, que hoje foi superada. Apesar de continuar sendo um custo considerável das viagens, não é um entrave tão grande quanto foi no passado.

Hoje os brasileiros têm optados por viagens em grupos maiores. Reis afirma que antes as famílias viajavam sozinhas e que hoje preferem organizar passeios com várias famílias juntas e com amigos, o que aumenta a oportunidade de negócios para o turismo.

Expectativas para 2024

O setor de turismo cresceu 8% em volume de receita neste ano, segundo Bentes. A expectativa é de crescimento de 2,1% em 2024.

Quanto mais estável a economia estiver, melhor para o setor de turismo. Coelho afirma que é preciso existir um trabalho conjunto entre governo federal, secretarias estaduais e municipais para melhoria dos destinos turísticos. Com isso, os viajantes vão ter mais opções de destinos para viajar.

"Com a expectativa de juros caindo, inflação relativamente controlada no ano que vem, se construirmos uma agenda de fomento, a expectativa de 2,1% pode ser revisada [para cima] no ano que vem", explicou Fábio Bentes, economista sênior da CNC.

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