Cuiabá, 25 de Maio de 2020

CIDADES
Sexta-feira, 22 de Maio de 2020, 10h:21

BARRA DO GARÇAS

Figueiredo reprova ‘kit-Covid’ anunciado por prefeitura: ‘Parece até brincadeira’

Euziany Teodoro
Única News

Cristiano Antonucci

O secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo, reprovou o “kit-Covid” anunciado pela Prefeitura de Barra do Garças (a 515 km de Cuiabá), que vai distribuir medicamentos para tratamento de sintomas da Covid-19 à população, incluindo a polêmica cloroquina.

A Prefeitura de Barra do Garças, que já contabiliza 4 óbitos e 61 casos confirmados, decidiu distribuir um kit que inclui os seguintes medicamentes: Azitromicina (500mg), Ivermectina (6mg) e Paracetamol (750mg) ou Azitromicina (500mg), Ivermectina (6mg), Dipirona (500mg) e Cloroquina (150mg).

De acordo com o prefeito Roberto Farias, os kits serão entregues aos pacientes que estão se tratando em casa.

Gilberto Figueiredo criticou duramente a ação. “Parece até brincadeira. Se fosse assim, então para todas as doenças poderia vir um kit preparado. Não precisava nem fazer curso de medicina para analisar os sintomas do paciente e prescrever o medicamento ideal para isso”, disse.

Segundo Figueiredo, a iniciativa é nociva para a população, pois “dá a ideia de que é uma solução segura, mas não é”.

“Não concordo com isso. Isso é algo nocivo para a população, dando a imagem de que é uma solução segura e não é. Nós já dissemos isso inúmeras vezes. Essa é uma responsabilidade dos médicos”, afirmou.

Mais uma vez, ele reforçou que nenhum agente público ou político tem a prerrogativa de prescrever medicamentos. “O médico toma essa medida. Os médicos estudaram mais de 10 anos para isso. Não é o secretário, não é o governador, não é o presidente da República que prescreve medicamento, nem para a Covid, nem para qualquer outra enfermidade”, enfatizou.

A cloroquina

A cloroquina protagoniza discussões durante a pandemia do novo coronavírus. Medicamente usado para a malária, teve resultados positivos em alguns pacientes graves da Covid-19. No entanto, seu uso deve ser restrito à prescrição médica.

Porém, desde que o presidente da República, Jair Bolsonaro, passou a defender o uso do remédio em seus discursos políticos, o embate começou, especialmente nas redes sociais.

Pacientes estão tomando o medicamento sem prescrição médica e as consequências podem ser gravíssimas, levando inclusive à morte.

“Essa é uma responsabilidade dos médicos. O medicamento está à disposição de todos os nossos hospitais de referência. Não há, nesse momento, nenhum impedimento no estado de Mato Grosso para seu uso. Mas isso cabe ao médico”, reforçou Figueiredo.


Comentários







Preencha o formulário e seja o primeiro a comentar esta notícia

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site. Clique aqui para denunciar um comentário.


MATÉRIA(S) RELACIONADA(S)




VÍDEO PUBLICIDADE