Cuiabá, 15 de Junho de 2024

CIDADES Sexta-feira, 17 de Maio de 2024, 18:50 - A | A

17 de Maio de 2024, 18h:50 - A | A

CIDADES / CASO VICENTE CAMARGO

Morte de bebê em berçário completa um mês e mãe desabafa: "Te amo além da eternidade"

Ari Miranda
Única News



Em uma publicação feita nos stories do Instagram, Karine Camargo, mãe do bebê Vicente Camargo, que morreu em um berçário na cidade de Várzea Grande em abril deste ano, lamentou a perda do filho, que completou um mês nesta sexta-feira (17).

Vicente morreu na tarde do dia 17 de abril, no Berçário Espaço Criança Feliz, situado no bairro Marajoara, em Várzea Grande. Um laudo técnico da Perícia Oficial (Politec) apontou que o garoto morreu por traumatismo craniano por instrumento contundente no ambiente da creche.

RELEMBRE O CASO: Bebê de 5 meses morre após sofrer traumatismo craniano em creche de Várzea Grande

Na postagem, Karine relembrou as coisas que o filho gostava de fazer, falando ainda sobre a saudade que sente do menino, que teria completado 6 meses na sexta-feira passada (10).

“Que vazio que você deixou meu amor, meu homenzinho que mamãe tanto esperou e amou nesse mundo. O meu amor por você aumenta casa dia mais e a saudade também. Te amo além da eternidade", disse Karine.

Além disso, falou do desejo de poder ver as fases da vida de Vicente.

"Queria ter merecido viver com você e ver você grande, um homem. Mas quem sou eu ‘pra’ questionar os planos de Deus. Você é um anjo da mamãe e estará sempre em meu pensamento e meu coração. Vicente forte e vencedor, você cumpriu o seu propósito e que um dia Deus me mostre”, pontuou.

No dia do incidente, Karine teria mandado mensagem para a creche por volta das 14h para perguntar sobre o filho. No entanto, ela só foi respondida duas horas depois por uma funcionária do berçário.

Segundo a cuidadora, o bebê havia mamado e, depois, foi colocado para dormir. Todavia, durante uma vistoria para troca de fraldas, a funcionária disse que encontrou o menino desacordado e com a pele roxa.

Ainda conforme a cuidadora, uma equipe da creche tentou reanimar Vicente, porém sem sucesso, momento em que levaram a criança até o Hospital Santa Rita, onde o óbito foi confirmado.

(Foto: Reprodução/Google Street View)

espaço criança feliz.jpg

Berçário Particular onde tudo aconteceu funcionava ilegalmente.

HOMICÍDIO CULPOSO

As duas proprietárias e uma funcionária do Berçário Espaço Criança Feliz foram indiciadas pela morte de Vicente. Segundo o laudo pericial da Politec, Vicente morreu por traumatismo craniano por instrumento contundente.

As três mulheres responderão, inicialmente, pelos crimes de homicídio culposo e falsidade ideológica. No entanto, ainda continuam em liberdade e a creche particular está funcionando normalmente.

Em conversa na sede da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Capital na ultima sexta-feira (10), o delegado de Polícia Civil, Marlon Luz, disse ao Única News que após a emissão do laudo da perícia, as proprietárias do berçário se sentiram acuadas e confessaram que Vicente morreu após bater a cabeça, em um incidente dentro do estabelecimento.

“Em novo depoimento, elas saíram chorando, porque o laudo trouxe algumas informações que não teve como elas esconderem mais o que aconteceu. O bebê morreu dentro da creche e a responsável pela morte foi, à princípio, uma das pessoas [envolvidas]”, disse o delegado, sem citar quem seria a pessoa responsável pelo incidente.

“O bebê chocou a cabeça em alguma parte da creche. Foi algo sem intenção”, completou.

Conforme o delegado, mesmo sem a intenção de matar a criança, as mulheres serão indiciadas pelos crimes, podendo ainda indiciar outras pessoas pelo crime.

A princípio, as três devem responder pelos crimes de homicídio culposo (sem intenção de matar) e falsidade ideológica, uma vez que, inicialmente, as depoentes omitiram o que de fato aconteceu no berçário no dia do incidente.

(Foto: Reprodução/Internet)

VICENTE CAMARGO CRECHE VG.jpg

A vítima, Vicente Camargo, de apenas 5 meses.

FUNCIONAMENTO ILEGAL

Em ofício encaminhado ao Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), o Conselho Municipal de Educação de Várzea Grande (CME-VG) denunciou a creche por funcionar sem autorização da Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer de Várzea Grande (Smecel-VG).

Segundo o documento, o CME tomou conhecimento da existência da creche particular, através de denúncia de familiares de uma criança de 2 anos, aluna da instituição, que tinha sido vítima de maus-tratos na unidade, ocorrido na unidade no 30 de janeiro deste ano.

Dias após a denúncia, em 5 de fevereiro, uma equipe do CME foi até o local para notificar a direção do estabelecimento sobre os procedimentos legais para regularização da atividade da creche junto à Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer (Smecel) de Várzea Grande, que deveria ser feito em até 40 dias, o que não ocorreu, prosseguindo assim na ilegalidade.

Uma semana antes da morte da criança de 5 meses, em 10 de março, o Pleno do Conselho Municipal de Educação de Várzea Grande determinou que a irregularidade da creche fosse denunciada ao Ministério Público Estadual.

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