Cuiabá, 17 de Junho de 2024

JUDICIÁRIO Sexta-feira, 12 de Abril de 2024, 06:56 - A | A

12 de Abril de 2024, 06h:56 - A | A

JUDICIÁRIO / QUASE 200 PROCESSOS PARADOS

CNJ abre nova investigação contra juiz que mandou prender mãe em audiência com assassino do filho

Magistrado já responde a outra reclamação por prender mãe de vítima em audiência, em outubro do ano passado.

Da Redação
Única News



A Corregedoria Nacional de Justiça (CNJ) instaurou, nesta quarta-feira (10) uma reclamação disciplinar contra o juiz Wladymir Perri, da 12ª Vara Criminal de Cuiabá, em razão de suposta "conduta temerária" e recorrente na condução de processos sob sua responsabilidade.

A irregularidade foi constatada durante inspeção ordinária, realizada no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), entre os dias 18 e 20 de março deste ano.

Em visita à unidade, a equipe de inspeção da CNJ diz ter averiguado diversas irregularidades, também constatadas na correição ordinária realizada pela Corregedoria-Geral de Justiça local.

Conforme a Corregedoria Nacional, foram identificadas na 12ª Vara Criminal de Cuiabá inúmeras remarcações injustificadas de audiências, o que ocasionou a paralisação de vários processos.

Além disso, a inspeção constatou que o descontrole das audiências tem acarretado demora na conclusão de instruções das ações penais que tramitam na unidade e versam sobre crimes extremamente graves, inclusive dolosos contra a vida.

Conforme apuração da equipe da corregedoria nacional, o número de processos parados segue em alta. Como exemplo, a CNJ citou que encontrou 161 processos concluídos e parados na unidade há mais de 100 dias, o que representa 31% do acervo ajustado, que era de 515 processos.

PRISÃO DURANTE AUDIÊNCIA

Wladymir Perri já responde a uma reclamação disciplinar, instaurada pela Corregedoria Nacional de Justiça porter dado voz de prisão à mãe de uma vítima que se manifestou contra o acusado de assassinar seu filho no dia 4 de outubro do ano passado.

Relembre: Mulher é presa após tentar atacar assassino do filho durante audiência em Cuiabá

Na decisão, o corregedor de Justiça, ministro Luis Felipe Salomão, citou que não foram observadas as determinações do Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero, regulamentado pela Resolução CNJ n. 492/2023.

O corregedor alegou que Perri não teve zelo pela integridade psicológica da mulher, “que também é vítima, ao menos indireta, do crime, pois é mãe da pessoa falecida”.

Em referência à norma aprovada pelo Plenário do Conselho Nacional de Justiça em março, a decisão ressalta que, ao julgar com perspectiva de gênero, juízes e juízas atuam na contenção de danos e “promovem a interrupção de atos involucrados em vocabulários e/ou linguagens ofensivas, desqualificadoras e estereotipadas, sejam estas proferidas no curso de uma audiência ou formatadas em peças processuais, tudo mediante termo nos autos, para substanciar a análise sob tal perspectiva, conforme compromissos assumidos pelo Brasil na ambiência internacional”.

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