Cuiabá, 15 de Junho de 2024

POLÍTICA Quarta-feira, 24 de Abril de 2024, 07:20 - A | A

24 de Abril de 2024, 07h:20 - A | A

POLÍTICA / ELEIÇÕES 2024

“Os partidos se transformaram em balcões de negócios”, diz analista político

Jornalista Onofre Ribeiro afirmou que falta de ideais partidários acabou gerando alianças por interesse

Ari Miranda
Única News



Em um diagnóstico do cenário político nacional, o jornalista e analista político, professor Onofre Ribeiro, disse que atualmente os partidos brasileiros se transformaram em “balcões de negócios” eleitorais. A afirmação foi feita em entrevista ao Podcast Política & Política (TV Única), na tarde desta terça-feira (23).

Questionado sobre o atual contexto da política partidária, Onofre explicou que, em outros tempos, os partidos conseguiam fidelizar seus eleitores devido às suas correntes de pensamento, convicções e estatutos.

“Os partidos eram muito orgânicos. O partido representava uma tese, uma ideologia, um olhar político e um olhar social. Hoje, os partidos são meras siglas aonde se acomodam os interesses para firmar candidaturas e viraram propriedade comercial de quem preside, porque vende apoio”, avaliou o analista, destacando que, antigamente, a “polarização” política se dava pela linha de pensamento da sigla.

“Aqui em Cuiabá, pra se ter uma ideia de como o partido era importante, famílias não permitiam que uma moça do PDS [Partido Democrático Social] se casasse com um rapaz da UDN (União Democrática Nacional], isso não era permitido, tão forte o sentimento de pertencimento ao partido”, ressaltou.

Além disso, conforme Onofre Ribeiro, após a mudança na lei eleitoral 9504 de 1997, que permitiu as coligações partidárias gerais e irrestritas, iniciou-se uma mudança na forma de fazer política entre os partidos, em especial os médios e pequenos, que viram nas coligações uma forma de “loteamento de poder”, que iniciou-se com a reeleição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em outubro daquele ano.

“Os partidos pequenos e médios passaram a se ‘agarrar’ naquele partido grande, pra chegar ao poder junto e se tornaram então uma ‘salada’. Aí na eleição do Lula, em 2002, os presidentes de partido entenderam que vender o horário eleitoral gratuito, vender apoio político e gerar mais chances [de se eleger] era um grande negócio, aí virou uma compra e venda de apoios”, asseverou.

Na visão do analista político, o reflexo negativo da “comercialização” dos partidos é a construção de candidaturas sem propostas e candidatos descompromissados.

“Na ausência de partidos, os candidatos ficam por conta própria. Daí não tem planos de governo, não tem compromisso, no meio do mandato quer trocar de partido. (...) Tentaram criar a federação [partidária], mas a gente não tem uma estabilidade política”, pontuou Onofre.

Assista a entrevista completa com o jornalista Onofre Ribeiro.

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