Cuiabá, 28 de Fevereiro de 2021

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Domingo, 24 de Janeiro de 2021, 11h:02

CONTRA POLÍTICAS DO ANTECESSOR

Projeto ambicioso de Biden para legalizar imigrantes testará força de trumpistas no Congresso

Por Sandra Cohen
G1 MUNDO

Foto: Evan Vucci/AP; Andrew Harnik/AP

Novo governo, velhos dilemas. O presidente Joe Biden tenta desfazer um deles -- o da imigração -- apresentando um plano para, de imediato, desmantelar o legado de Donald Trump. Num de seus primeiros atos, interrompeu a construção de um muro na fronteira com o México, revogou a proibição da entrada a cidadãos de países mulçulmano e fortaleceu o programa que impede a deportação de filhos de imigrantes ilegais, os chamados dreamers.

O plano de imigração de Biden, no entanto, é bem mais ambicioso do que simplesmente desfazer sandices de seu antecessor. Propõe abrir um caminho de oito anos para a legalização de 11 milhões de imigrantes sem documentos que residem nos EUA, elevar a concessão de green cards a trabalhadores qualificados e expandir a admissão de refugiados e requerentes de asilos. Prevê ainda facilitar a imigração calcada na família, radicalmente minada no governo anterior, e aumentar as cotas de visto por país.

Joe Biden assina ordens executivas para a economia nesta sexta-feira — Foto: Reuters

Joe Biden assina ordens executivas para a economia nesta sexta-feira — Foto: Reuters

 

Os antecessores George W. Bush e Barack Obama também pisaram nesse terreno minado e fracassaram na tentativa de reformar as leis de imigração. Biden basicamente retoma o plano do presidente democrata -- de quem foi vice nos dois mandatos --, que acabou esbarrando na Câmara dos Representantes, de maioria republicana.

Embora incensado por ativistas, o projeto de Biden encontrou resistência imediata entre os republicanos. Na atual composição 50-50 do Senado, ele precisa do apoio de pelo menos10 congressistas do partido adversário para vencer a obstrução.

A força do trumpismo, com seus 74 milhões de votos, será testada numa bancada que aparentemente parece estar dividida. Um alinhamento de “rebeldes” com a proposta do novo governo certamente desataria a ira da base anti-imigrante acalentada pelo ex-presidente.

E a legalização ressoa, como definiu o senador republicano Marco Rubio, da Flórida, como uma anistia geral aos imigrantes, renovando os temores de que a medida poderia atrair mais estrangeiros ao país, acirrando também a competição por empregos.

Pelo menos 5 milhões dos 11 milhões de indocumentados são trabalhadores essenciais na pandemia do novo coronavírus, estima a organização de defesa de imigrantes FWD.us. Poderiam, na avaliação de um grupo de congressistas democratas, ter o green card agilizado por meio de um projeto de lei independente.

 

“Eles ajudaram a salvar vidas americanas durante uma pandemia mortal, sob constante ameaça de deportação. Merecem mais do que um elogio, merecem proteção”, defende um comunicado do grupo FWD.us

Se Trump fez do combate à imigração um dos pilares de sua presidência, Biden está mandando um sinal oposto, conforme analisa Muzaffar Chishti, da ONG Migration Policy Institute à emissora de rádio NPR: o de que os que entraram nos EUA, mesmo que ilegalmente, devem ser vistos como um valor e um ativo e não como ameaça econômica ou à segurança nacional.

Esperança para os imigrantes

Mais do que alçar a imigração como prioridade de seu governo, o projeto de Biden tenta recuperar o papel dos EUA como modelo humanitário e deixar no passado a imagem cruel de crianças separadas de seus pais e encarceradas na fronteira.


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