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POLÍTICA Quinta-feira, 24 de Agosto de 2017, 16:39 - A | A

24 de Agosto de 2017, 16h:39 - A | A

POLÍTICA / INVESTIMENTO

Estado busca garantir produção de gás e uréia da Bolívia

Da Redação



(Foto: Reprodução)

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Mato Grosso tem interesse em comprar gás e uréia da Bolívia. Nesta terça (22), o representante da YPFB, empresa pública boliviana dedicada à exploração, destilação e venda do petróleo e seus derivados, Óscar Barriga esteve em Cuiabá participando de um seminário realizado no auditório do governo do estado sobre oportunidades de negócios.

 

A princípio foi assinado entre o governo do estado e a YPFB um memorando de intenções onde a estatal boliviana poderá ser sócia do MT Gás e garantir um fornecimento contínuo ao estado.

 

O secretário de Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso (Sedec), Carlos Avalone disse que futuramente o gás pode chegar ao distrito industrial de Cuiabá. “Seria muito bom para as empresas do distrito industrial, mas ainda falta um trecho do gasoduto para chegar até o distrito. Por enquanto não deve chegar também na casa das pessoas, pois é um projeto mais longo. O que precisamos neste momento é de um fornecimento firme para melhorar os processos produtivos e matriz energética do estado como um todo”, destaca.

 

O governo brasileiro precisa negociar antes da finalização do contrato da Petrobras com a YPFB, se vai continuar ou não comprando da Bolívia e se for continuar, qual a demanda de consumo. “Se a negociação não ocorrer rápido pode haver elevação de preço do gás boliviano no mercado, pois muita gente vai querer comprar. Queremos garantir a compra de Mato Grosso nessa transição entre a estatal boliviana e a Petrobras. Embora o Brasil também produza gás, a única fonte de gasoduto que chega até Mato Grosso é originária da Bolívia, portanto é o único país com possibilidade de fornecer ao estado. Por mais que haja uma oscilação de preço do mercado, o gás ainda é uma matriz energética viável”, disse o secretário da Sedec.

 

Porém o desafio é o transporte terrestre da uréia, mesclando logística para o produto chegar até Mato Grosso, utilizando ferrovia e rodovia, pois ainda não existe um modal hidroviário ou estrada que interligue com maior proximidade os trechos via terrestre.

 

Falta asfaltar cerca de 300 km da rodovia que interliga San Matias (fronteira de Cáceres) a San Ignácio de Velasco (Bolívia), por onde a uréia deve ter melhor entrada em Mato Grosso, pois a planta de produção está localizada em Bulo Bulo, cidade pertencente ao departamento de Cochabamba na Bolívia.

 

Sem a pavimentação o custo da uréia para chegar em Mato Grosso pode ficar inviável, pois teria que desviar cerca de 700 km e encareceria o produto. Ainda não existe uma liberação oficial da pavimentação. Com relação ao gasoduto já existe o trecho subterrâneo que possibilita o fornecimento de gás da Bolívia a Cuiabá, pois isso é um projeto antigo e já disponível para transitar o produto.

 

O presidente da YPFB, Óscar Barriga, disse que é possível criar uma relação de sinergia com o estado e fará investimentos contínuos para aumentar a produção. “A nossa perspectiva de investimento na ampliação da planta de produção de uréia e amoníano é de R$ 918 milhões de dólares em uma área total de 200 hectares. Poderemos fornecer para Mato Grosso a partir da finalização do contrato de exclusividade com a Petrobras que se encerra em 31 de dezembro de 2019.

 

O setor do agronegócio está animado com a situação, pois há interesse na aquisição de uréia, que hoje vem da Rússia e de outros estados brasileiros. Se vier da Bolívia vai facilitar o fornecimento e pode reduzir o custo da produção.

 

A quantidade de uréia que a Bolívia produz hoje representa metade do que Mato Grosso consome. Nos próximos dez anos, consumiria cerca de quatro vezes a demanda atual, devido ao aumento da produção do agronegócio. Isso significa que será necessário criar alternativas de compra da uréia no futuro, instalação de fábricas locais e mais investimentos na ampliação da produção de origem. Mesmo assim, o país boliviano se manteria como um importante fornecedor ao estado.

 

O gestor de projetos do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), Ângelo Ozelame, apresentou a tendência de evolução do agronegócio no estado e o potencial de consumo. “Até 2025 Mato Grosso deve produzir 46,2 milhões de toneladas de soja, sendo que hoje produz 31,2 milhões/ton e em 2008 produzia em torno de 19 milhões/ton. Com relação ao milho, grande consumidor de uréia no processo produtivo, a perspectiva é de 38,5 milhões de toneladas em 2025, sendo que atualmente produz 29,5 milhões/ton e em 2008 produzia cerca de 8 milhões/ton”, destaca Ozelame.

 

O presidente do sistema Famato, Normando Corral disse à reportagem que a expectativa dos produtores rurais com relação à uréia é a proximidade do país fornecedor com o estado, facilitando o acesso e minimizando o custo de produção. “Nos preocupamos com tantos países distantes e temos que prestar atenção também nos países vizinhos. Porém hoje temos problemas de acesso de estrada com a Bolívia. Se otimizarmos a logística levando grãos ao país fornecedor e trazendo a uréia no retorno, podemos minimizar o custo de frete e otimizar os negócios. Mato Grosso tem possibilidade de comprar desde que tenha condições de transporte que sejam economicamente vantajosas”, disse Corral.

 

Hoje Mato Grosso não está tendo consumo de gás. O real fornecimento ao estado depende da Petrobras autorizar a estatal boliviana em abrir a possibilidade de novos compradores. Isso devido ao contrato de exclusividade existente entre a YPFB e a Petrobras com vencimento em 31 de dezembro de 2019. Mas existe uma tendência de aprovação do acordo entre as partes antes do prazo, pois a Petrobras está conseguindo extrair gás do pré-sal e não está cumprindo a demanda contratual de compra de 31 milhões de m³, sendo que hoje está adquirindo da YPFB em média, apenas 14 milhões de m³.

 

O presidente do Sindicato da Construção, Geração, Transmissão e Distribuição de Energia Elétrica e Gás no Estado de Mato Grosso (Sindenergia), José Mesquita alerta que hoje o estado tem 480 megawatts (MW) à disposição e não existe o fornecimento de gás. “As usinas térmicas podem colaborar para o sistema nacional. Temos uma vocação para a geração de energia renovável. Temos que trazer mais investimentos para cá. No mês de julho apuramos a produção de 1.300.000 megawatt-hora (MW) no estado. Deste total consumimos 770.000 megawatt-hora (MW) e exportamos mais de 500.000 megawatt-hora (MW). Lembrando que está em construção a usina de Sinop e Colíder que vai gerar ainda mais energia em Mato Grosso” disse Mesquita.

 

“É mais importante acionar uma térmica a gás do que a diesel, que polui com maior intensidade, lembrando que algumas térmicas estão com este tipo de operação em Mato Grosso por não ter a firmeza do fornecimento de gás. Além disso, tem a questão tributária elevada sobre a energia, sendo que o gás é mais barato para a indústria como um todo. Temos que diversificar a geração de energia. Não podemos ficar somente com uma matriz energética, temos que utilizar recursos hídricos, solar, biomassa, gás”, disse Mesquita.

 

O presidente da EPE Pantanal Energia, empresa da Ambar Energia, Humberto Farias disse ao Mato Grosso Econômico que o estado tem o privilégio de ter um gasoduto dedicado e que pode atender vários mercados. "Além da termelétrica existente, o gás poderá atender toda distribuição de gás que tiver demanda, pois já existe a infraestrutura preparada para fazer a duplicação da capacidade de geração de energia elétrica e outros empreendimentos que possam precisar do produto. O gás é um diferencial da matriz competitiva e é importante concretizar parcerias de longo prazo para viabilizar investimentos para o estado. Com isso vai trazer uma dinamização da economia de Mato Grosso, pois os contratos de hoje são interrompíveis e não oferecem a segurança necessária para investimentos de longo prazo, é preciso contratos firmes. Exemplificando, uma das utilizações do gás é para substituir os processos produtivos nas indústrias que consomem óleo combustível, produtos químicos ou processos de geração de energia e derivados, além dos processos do agronegócio também", finaliza Farias. (Com Mato Grosso Econômico) 

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