Cuiabá, 22 de Fevereiro de 2020

POLÍTICA
Quinta-feira, 23 de Janeiro de 2020, 16h:17

ELEIÇÕES 2020

Em tom combativo, Julier se lança à Prefeitura de Cuiabá e cobra explicações de Pinheiro

Ana Adélia Jácomo
Única News

Reprodução/Arquivo pessoal

A disputa pela Prefeitura de Cuiabá, que ocorre em 4 de outubro deste ano, terá como um dos concorrentes o ex-juiz federal Julier Sebastião (PT), que se declarou pré-candidato ao Única News nesta quinta-feira (23). Ele já disputou o último pleito, em 2016, quando ficou em quarto lugar com 23.307 votos.

Dando um tom combativo ao mandato do prefeito Emanuel Pinheiro (MDB), Julier afirmou que o chefe do Executivo privilegiou os mais ricos durante sua gestão e nunca explicou o "escândalo do paletó". Ocorre que Emanuel foi filmado pelo ex-chefe de gabinete do ex-governador Silval Barbosa, Silvio Correa, recebendo maços de dinheiro.

Em delação premiada, Silval disse que se tratava de propina paga aos deputados da época. “Isso deve ser respondido pelo próprio implicado, que é o prefeito, que até hoje não explicou isso e, obviamente, pelos órgãos de apuração do Estado. Esses devem apresentar uma resposta à população e nós vamos ver isso, evidentemente”.

“Ele [Pinheiro] deixou de atender os que mais precisam das políticas públicas e isso já não é novidade. Mais uma vez se privilegiou os mais capitalizados, mais uma vez se fez uma gestão antipovo. Os serviços básicos de saúde continuaram péssimos e com escândalos, como a Secretaria de Saúde e na administração (...) Não adianta falar que fez uma praça aqui e outra acolá, que vai apagar o que de fato é concreto”, disparou.

Julier disse que o partido ainda não definiu possíveis arcos de aliança, mas garantiu que o PT, de fato, terá um candidato próprio. Vale lembrar que um dos principais apoiadores de Julier dentro da legenda, o deputado estadual Lúdio Cabral, se candidatou em 2012 ao cargo de prefeito de Cuiabá e contou com apoio de Silval, Lula e Dilma Rousseff, ex-presidentes do Brasil.

O ex-juiz federal afirmou que quer apresentar a Cuiabá um projeto que priorize os que mais precisam de ações públicas. “Vamos tentar formular um projeto que coloque Cuiabá como um centro de atenção social. Por hora, a discussão é apenas partidária e ao longo desse semestre vai afunilar esse arco de alianças”.

“Eu vou apresentar um projeto que acredito que atenda mais a questão da justiça social, a melhoria dos serviços básicos de saúde e saneamento, que possa inaugurar uma nova fase no município”, avaliou Julier.

De juiz federal a "eterno candidato"

Julier deixou a magistratura para se aventurar em sua primeira tentativa de enveredar na política, após receber garantias do cacique peemedebista, Carlos Bezerra (MDB), de que viabilizaria sua candidatura ao Governo do Estado, em 2014. No entanto, não conseguiu ser candidato e disputou apenas em 2016 à Prefeitura de Cuiabá. 

Entrou no MDB como a “menina dos olhos” do partido, filiou-se em Brasília na presença dos principais líderes do momento, como o vice-presidente da República Michel Temer [na época], o então presidente da Câmara Federal, Henrique Eduardo Alves, e governadores da sigla. No entanto, deixou a magistratura com uma carreira jurídica cheia de polêmicas e suspeitas.

Em dezembro de 2013, o procurador federal José Elaeres Marques Teixeira requereu à Justiça Federal o afastamento preventivo de Julier. O Ministério Público Federal (MPF) também pediu a abertura de procedimento administrativo disciplinar contra o magistrado.   

Julier foi investigado por suposto favorecimento em decisões judiciais a determinado grupo de empresários. Outro caso emblemático envolvendo o magistrado é a Operação Pacenas, deflagrada em dezembro de 2010. Membros da terceira turma do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região afastaram o juiz do processo, referente às supostas fraudes nos processos de licitação das obras do PAC em Cuiabá e Várzea Grande.

Outro processo que estava sob a responsabilidade de Julier e que foi suspenso é o da “Operação Jurupari”. O processo era movido contra a ex-secretária de Estado de Cultura. Janete Riva. e mais 132 pessoas. A última sentença de repercussão dada por Julier o colocou numa situação delicada. Cerca de uma semana antes de se filiar no MDB, o magistrado inocentou o colega de partido, Eder Moraes, no processo que ficou conhecido como “Escândalo dos Maquinários”.

O esquema desviou R$ 44 milhões, por meio de superfaturamento, na aquisição de 705 máquinas e equipamentos do programa "MT 100% Equipado", criado pelo ex-governador Blairo Maggi (PR), em 2009. Julier também inocentou Maggi e condenou apenas os dois ex-secretários de Estado, Geraldo De Vitto (Administração) e o já falecido Vilceu Marchetti (Sinfra), por atos de improbidade administrativa.

De lá pra cá, passou pelo PDT e agora está no PT. Ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Julier declarou, em 2016, ter R$1.637.215,50 milhão em bens.


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