Cuiabá, 21 de Junho de 2024

CIDADES Segunda-feira, 22 de Abril de 2024, 18:16 - A | A

22 de Abril de 2024, 18h:16 - A | A

CIDADES / VEJA VÍDEO

Aos gritos de "assassinas", mães protestam e pedem justiça por bebê que morreu em berçário

Grupo percorreu ruas e avenidas do bairro Marajoara, local onde fica a creche onde tudo aconteceu.

Ari Miranda
Única News



Um grupo de moradores de Várzea Grande, juntamente com familiares e amigos de Karine Camargo, mãe do bebê Vicente Camargo, de apenas 5 meses, que morreu na semana passada em um berçário particular do bairro Marajoara, realizaram uma passeata na tarde desta segunda-feira (22), em protesto pela morte do menino.

Vídeos do protesto circularam nas redes sociais.

VEJA VÍDEO NO FINAL DESTA MATÉRIA

O grupo percorreu ruas e avenidas do bairro, encerrando a manifestação em frente ao berçário Espaço Criança Feliz, onde Vicente morreu na última quarta-feira (17). Imagens registradas por populares mostram o grupo carregando cartazes e pedindo a ação da Justiça sobre o caso, aos gritos de “assassinas”, fazendo menção às proprietárias do local.

Em entrevista a um portal de notícias da capital, uma amiga da família contou que na semana anterior, Vicente apresentou um quadro de vômito e diarreia, ocasião em que levado ao hospital por sua mãe, sendo constatado um quadro de virose que, segundo o médico que o atendeu, é comum durante o período de adaptação em creches.

Porém, conforme a mulher, no dia em que Vicente morreu, ele já estava curado, fato que inclusive foi atestado por Karine Camargo em uma postagem nas redes sociais, onde ela apresentou um exame laboratorial, comprovando que o filho estava bem.

"A mãe deixou ele lá bem, ele estava brincando, animado e feliz. Ele já estava bem melhor. À tarde eles ligaram falando para ela ir ao pronto-socorro, porque ele não estava respirando", disse.

O CASO

O atestado de óbito de Vicente apontou que o garoto morreu por traumatismo craniano por instrumento contundente. Contudo, a informação deve ser confirmada por laudo oficial da Politec, que deve ficar pronto no final deste mês.

Karine Camargo, mãe do bebê, teria mandado mensagem para a creche por volta das 14h do dia 17 de abril para perguntar sobre o filho. No entanto, ela só foi respondida duas horas depois, às 16h, por uma profissional do berçário.

Segundo a cuidadora, o bebê havia mamado e, depois, foi colocado para dormir. Todavia, durante uma vistoria para troca de fraldas, a funcionária da creche disse que encontrou o menino inconsciente e com a pele roxa.

Ainda conforme a cuidadora, uma equipe da creche tentou reanimar o bebê, porém sem sucesso, momento em que levaram a criança até o Hospital Santa Rita, onde o óbito foi confirmado.

VÍDEO: Mãe de bebê que morreu em creche expõe dezenas de outras denúncias de maus-tratos

(Foto: Reprodução/Internet)

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Grupo de pessoas afixou letreiro na porta do berçário, definindo o local como um "matadouro".

FUNCIONAMENTO ILEGAL

Em ofício encaminhado ao Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) na última semana, o Conselho Municipal de Educação de Várzea Grande (CME-VG) denunciou a creche por funcionar ilegalmente, sem autorização da Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer (Smecel-VG).

Segundo o documento, o CME tomou conhecimento da existência da creche particular, através de denúncia de familiares de uma criança de 2 anos, aluna da instituição, que tinha sido vítima de maus-tratos na unidade, ocorrido na unidade no 30 de janeiro deste ano.

“Até então, não tínhamos conhecimento dessa unidade. (...) A referida tem seu funcionamento irregular perante este Conselho (...), visto que nunca entrou com Processos com tais requerimentos”, diz trecho do ofício.

Dias após a denúncia, em 5 de fevereiro, uma equipe do CME foi até o local para notificar a direção do estabelecimento sobre os procedimentos legais para regularização da atividade da creche junto à Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer (Smecel) de Várzea Grande, que deveria ser feito em até 40 dias, o que não ocorreu, prosseguindo assim na ilegalidade.

“Assim procedeu, em conversa com as gestoras da Unidade, foi lhes repassado todos os procedimentos a seguirem para que buscassem a devida regularização. Diante do entendimento delas, assinaram a notificação dando ciência de que teriam o prazo de 40 (quarenta) dias para esse feito”, cita o Conselho em outro trecho da denúncia ao MP.

Uma semana antes da morte da criança de 5 meses, em 10 de março, o Pleno do Conselho Municipal de Educação de Várzea Grande determinou que a irregularidade da creche fosse denunciada ao Ministério Público Estadual.

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