Cuiabá, 23 de Julho de 2024

JUDICIÁRIO Segunda-feira, 21 de Fevereiro de 2022, 16:55 - A | A

21 de Fevereiro de 2022, 16h:55 - A | A

JUDICIÁRIO / FALSO TESTEMUNHO

MPE pede inquérito contra testemunha que mudou depoimento sobre morte de Toni Flor

Thays Amorim
Única News



O promotor Samuel Frungilo pediu a instauração de um inquérito contra Cristiane Silva, apontada como um das testemunhas centrais no caso do assassinato contra o empresário Toni Flor, por falso testemunho. Isso porque nesta segunda-feira (21), Cristiane, que está presa por tráfico de drogas, contou uma versão diferente durante a audiência da qual havia relatado ao delegado Marcel de Oliveira.

Toni foi morto no dia 1º de agosto de 2020. Em seu depoimento inicial à Polícia Judiciária Civil (PJC), Cristiane afirmou que estava em uma festa com Igor Espinosa, e que teria ouvido que a morte de Toni teria sido encomendada por Ana Cláudia. Cristiane comentou a história à Fabrícia Pereira de Oliveira, que posteriormente, repassou à Aldina Marcia Alez Herter, amiga de Toni e Ana Cláudia.

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Ambas as testemunhas citaram o nome de Cristiane e apontaram que a história foi repassada originalmente por ela, em contato com Igor, autor dos disparos.  Segundo Cristiane, Igor teria mostrado fotos de Toni, das três filhas e relatou a história de Ana Cláudia, suposta mandante do crime, falando até de valores combinados para o crime.

Entretanto, ao confirmar o depoimento na audiência do Júri Popular desta segunda, a testemunha desmentiu que Igor teria dito alguma coisa. “Ele não me disse nada. Eu apenas conheci ele em uma festa e a gente conversou nesse dia para poder arrumar um serviço para ele na empresa. Tentei, a gente se relacionou algumas vezes, mas depois nunca mais o vi”.

Ao ser questionado sobre quais detalhes do crime chegaram ao seu conhecimento, Cristiane alegou que não poderia responder e que apenas confirmou o que o delegado Marcel de Oliveira estava dizendo no depoimento inicial.

“Eu não sei. Eu não posso responder. No depoimento, eu disse que estava com o salão cheio de clientes e precisava ir embora. Eu disse, não. Eu apenas confirmei o que o delegado disse”.

Cristiane, presa por tráfico de drogas, está detida na mesma unidade prisional que Ana Cláudia, em Cuiabá. Ela confirmou ao juízo que não possui contato com a suposta mandante do crime e não estaria se sentindo coagida.

O advogado da defesa Jorge Godoy também pediu um inquérito contra Marcel, por suposta coação no depoimento. “Aproveitando o ensejo também quero que seja requerido um inquérito contra o delegado por abuso de autoridade, já que pau que bate em Chico também bate em Francisco, vamos trabalhar igual”.
A depoente disse que não havia lido o depoimento à PJC antes de assinar.

O caso

Consta na denúncia do Ministério Público Estadual (MPMT) que no dia 1º de agosto de 2020, por volta das 7h, em frente a uma academia, Toni Flor foi morto por disparos de arma de fogo efetuados por Igor Espinosa, a mando de Ana Claudia de Souza Oliveira Flor. Para a concretização do crime, a esposa teria sido auxiliada por Wellington Honório Albino, Dieliton Mota da Silva e Ediane Aparecida da Cruz Silva.

Os outros acusados, com exceção de Ediane, também estão presos preventivamente. Em depoimento à PJC, Igor confessou o crime e revelou o envolvimento da ex-esposa do empresário.

Inicialmente, a recompensa pelo crime tinha sido de R$ 60 mil reais. Entretanto, Ana Claudia cumpriu parte do acordo e pagou R$ 20 mil a Igor, que teria gasto o dinheiro em festas no Rio de Janeiro.

A ex-esposa de Toni Flor incumbiu a Wellington e Maque a logística necessária para a execução do empresário.

O motivo do crime seria uma iminente separação, com objetivo de apropriação dos bens do casal, segundo o MP.

“Ana Claudia começou a engendrar um plano para extinguir a vida de Toni e, para tanto, pediu auxílio à sua manicure e amiga Ediane Aparecida da Cruz Silva na procura por um “matador”, oportunidade em que esta acedeu à macabra solicitação e contactou Wellington Honório Albino que, por sua vez, com o auxílio de seu amigo Dieliton Mota da Silva, “terceirizou” o serviço homicida, propondo que a execução do crime fosse perpetrada por Igor Espinosa, que aceitou a tarefa”, diz trecho da denúncia.

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